Peguem Suas Tochas, É Hora Da Inquisição!

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Comunistas, ladrões, anti-cristos estão nas ruas. Onde estão nossos heróis de farda? Onde estão… Ei cala a sua boca vagabundo maconheiro comunista do diabo! O que? Você está falando que não concorda com meus pensamentos? Estou na minha liberdade, vou te meter a mão marginal do caralho, aceita ou sai do meu país. Aqui sou a favor da vida, Jesus me ensiou o amor e o perdão mas, por que ainda não mataram esse bandido vagabundo de 16 anos? Matou? Agora sim! Opa, era de 10?!? Mas tudo bem, vi uma fotinho desse mini marginal com uma pistola e um fuzil, melhor cortar o mau pela raiz mas se fizer aborto sua puta, pode ter certeza que vai presa ou espero que morra na hora do aborto mulher do capeta. Como assim aquele garoto da foto não era ele? Ele era mesmo estudande? Mentira, pessoal ta sendo manipulado a achar que ele era bom! E por que ainda estamos nisso? Olha ali do outro lado da rua, no bar o travesti fazendo barulho as 4 da manhã. Tem que meter a porrada mesmo e vê se não esquece de pegar o facão. Isso é culpa daquele deputado gaynazi comunista, anti-cristo, que é a favor dos direitos LGBTs, legalização da maconha, aborto, legalição da prostituição e dos direitos humanos – que só deveriam ser para humanos direitos e não para essa sub-raça -. Finalmente o pessoal também parou de falar daquele Amarildo, nem sei quem era, mas quem se importa? Devia ser bandido mesmo e graças a Deus, amém, nossa polícia existe e está aqui entre nós. Por sinal, melhor coisa feita até hoje foram as UPPs, quem não quer ela no morro é bandido, afinal quem não deve não teme. O que? Por que não se tem escolas ou hospitais nos morros? Não, a única salvação para aquelas pobres almas é a nossa polícia honesta, que só mata bandido, nos livrando de ameaças como Amarildos ou Eduardos. E tem que matar todos até porque filho de bandido, bandidinho é. E não quero meu filho misturado com essa gente nas faculdades ou no seu futuro emprego, são pobres, tenho medo, vai que pega. Não viu aqueles negros que foram atrapalhar a aula de uma faculdade? Imagina, meu filho querendo estudar e um bando de negro ali atrapalhando a aula dele coitado. Vai que algum deles é amigo daquele bandidinho que foi amarrado no poste pelos nossos jovens, honestos e puros, justiceiros? Aqui no Brasil é assim, fazemos com as mãos, não tem essa de direitos, é olho por olho e será melhor ainda quando todo mundo acabar cego, não vamos mais precisar ver uma afronta à família brasileira nas novelas, como aquela das nove com duas senhoras sem vergonhas se beijando!! E aproveite agora que você pode apoiar tudo isso seu marginal anti-cristo, porque quando os homens de botões dourados voltarem, só pessoas honestas e de bem como eu terão espaço aqui.
Que Deus nos abençoe com amor e nossos heróis matem nossos inimigos, amém!

Bryan Asfora Coutinho (texto escrito pelo meu filho)

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Se depender do meu blog, ninguém mais se mata!

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Estou meio relapso nas atualizações, muita coisa acontecendo na minha vida, mas hoje resolvi tirar um tempo e checar os comentários no meu blog. Sempre tem alguém lutando contra a aceitação de sua homossexualidade. Espero ter ajudado. Segue o comentário e minha resposta.

“Olá, acho que a sociedade ainda está muito preconceituosa. Bem, mas queria falar de mim aqui. Era casado ha 12 anos, vivia bem com a mulher, mas como? Sempre tive desejos homosexuais, mas que me segurava para tal. Saia as vezes com homens e chegava em casa com nojo de mim. Casado há 12 anos me apaixonei por um colega de academia, viviamos saindo e indo pra motel juntos e escondidos. Minha esposa soube depois por uma amiga minha que eu tanto confiava. Essa desgraçada , de minha “amiga’ contou. Depois de tudo, separei,sofri,sofro. Cai numa depressão tao grande que tentei suicidio por duas vezes. Meu irmao soube e me dau apoio em tudo, mas confesso que ainda teho medo de sair as ruas .Por saber que agora todos estao sabendo. Hoje ando com anti depressivos, por que foi um choque grande pra mim minha separação, afinal a amava ,mesmo sendo gay a amava. E ainda tenho uma linda filha, que tbm amo demais. Enfim,queria que alguem me desse um apoio moral, pq tenho ainda vergonha disso. Nao sou preconceituoso, mas sei que enfrentarei coisas ruins ainda pior na minha situação pq minha esposa nao aceita como a enganei esse tempo todo. Obg auqui e um desabafo que precisava falar.”

Minha resposta:

“Querido, você imagina o quanto me identifico com a sua história, né? A diferença é que eu estava pronto pra sair do armário, e você foi brutalmente catapultado para fora. E isso, ao meu ver, nos fez ir por caminhos opostos. Como eu estava preparado pra isso, almejava, queria estar livre, fui direto pro orgulho de ser o que sou. Já no seu caso, a primeira reação foi se fechar e se culpar. Essa culpa é um processo. E como você não passou o devido tempo nela, não houve o auto perdão necessário para se atingir o orgulho. Deu pra entender? Até eu ter a coragem de contar pra minha ex mulher, eu tive que passar por esse mesmo processo. Ela não foi traída pelo meu desejo, eu o compartilhei e trabalhamos juntos a minha “redenção” e aceitação até a hora do divórcio. Que mesmo assim não foi nada fácil. Meu conselho prático é o seguinte. Não se culpe! Pense que no final isso foi positivo, pois agora você está livre pra ser o que você é. Quanto aos vizinhos, literalmente FODAM-SE! Isso pra mim nunca foi uma questão. Cago pra opinião alheia. Trabalhe no seu relacionamento com sua filha. Se precisar lute na justiça, mas não deixe o ódio da sua ex mulher te separar da sua cria. VOCÊ TEM DIREITOS LEGAIS! Busque-os! E por fim, não tente tirar mais sua vida. Busque grupos de apoio, existe um chamado “It Gets Better” (As Coisas Melhoram). E realmente melhoram, veja meu caso, hoje sou super feliz, moro com meu filho que está com 23 anos, nos respeitamos muito, estou casado com um homem maravilhoso há seis anos, e não poderia estar mais feliz com minha vida. E não pense que não tive pensamentos suicidas na minha vida, porque tive sim, mas tudo durante o processo de aceitação, jamais depois que fiz a transição pro orgulho. Deixe que falem que você não tem do que se orgulhar, que isso de ter orgulho de ser gay é o mesmo que ter orgulho de ser hetero, e o monte de baboseira que vomitam por aí. Só nós gays sabemos que cada um de nós é um sobrevivente de uma guerra interna e externa, e só nós temos a dimensão do que isso significa. Seja forte e volte sempre.”

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Sair ou não de um casamento por ser gay?

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Pois é, chegou o momento, o confronto com seus fantasmas, o momento de decidir entre o amor e a sexualidade. Isso, é claro, se você ama o seu, ou a sua, espos@. Qual o espanto? Achou que um@ gay não poderia verdadeiramente amar o sexo oposto? Pois bem…Muitos, como eu, amaram. Muitos, como eu, não estavam casados por aparência. Muitos, como eu, tiveram que pesar todas as opções antes de sequer deixar que essa dúvida lhes invadisse o coração. Pra mim, foram 10 anos.

Muitos me perguntam se eu sabia que era gay quando me casei, e o mais importante, é claro, se ela sabia. Eu enrolo, me sinto mal, me questiono, me julgo, me culpo, mas respondo. Mais ou menos. Pera lá, ou sabe ou não sabe. Será? Todos que me conheciam tinham suas suspeitas e faziam questão de externá-las. Mas vamos por partes. Eu sempre soube, é só ler o meu post “Eu nascí gay” que explico em detalhes. Aqui, vou me limitar a dizer que eu SEMPRE soube, mas não queria ser. Quem quer? E não é porque é ruim, ou porque eu conscientemente achava que era errado, era apenas por ver como a sociedade nos tratava: o deboche, a chacota, a desvalorização de nossas vidas, de nossa cidadania. Não, eu não queria ser gay de jeito nenhum. Mas, é difícil para um adolescente dos anos 80, de uma hora pra outra, chegar pra sua namorada e dizer algo que nem ele tem certeza de que será pra sempre. Eu sabia que era gay, ok, mas também achava que não seria para sempre, que isso morreria em mim, ou pelo menos eu tinha a esperança. Mas, pra não dizer que fui um completo covarde e me casei sem dar a menor pinta de que isso poderia vir à tona, contei a ela que já havia “experimentado” transar com homem, mas que não havia gostado. Na verdade eu gostava, e gostava muito, mas ao mesmo tempo também gostava de transar com ela. Fui covarde? Sim! Hoje enxergo isso. Mas não era hoje, era um adolescente tentando se encaixar no mundo, tentando parar de sentir vontade de se matar, tentando encarar as pessoas de frente. E isso ela me deu. Com ela eu era forte, eu era “macho”, eu me enquadrava. Era amor.

Posso dizer que fomos muito felizes, muito mesmo. Ao ponto de não pensar mais em homens, de achar que tivesse tudo resolvido, que eu conseguiria ser feliz. E principalmente fazê-la feliz. Fomos muito felizes, não tenho dúvidas disso, e o fruto disso foi meu filho, que nem vou começar a falar pra poder terminar esse post ainda hoje. Foram anos inesquecíveis. Até o sétimo ano de casamento eu havia sufocado o gay em mim, não a trai, nem pensava nisso. Tínhamos nossas brigas como qualquer outro casal. E após 7 anos qualquer relacionamento passa por um desgaste. Conosco não foi diferente. Morávamos nos EUA e decidimos que ela viria pro Brasil ficar um tempo. Umas férias conjugais. Pois bem, foi deixar ela no aeroporto de Los Angeles que meu carro, não sei se por instinto, não sei se em alguma forma de transe, não sei, só sei que eu estava na porta de um bar gay. O coração acelerado. Tudo voltava, como uma avalanche, me embrulhando o estômago, me empurrando pra cerveja gelada, servida pelo descamisado bartender e seu sorriso sexy. Lá estava eu. Como um desertor que volta pro seu exército, mas que esqueceu como se atira, como se manuseia sua arma, como quem viveu em tempos de paz e agora não tem a menor ideia de como voltar pras trincheiras.

Mas lá estava eu. Naquele bar. Nunca fui de chegar em cima, de tomar a iniciativa, sempre gostei de atrair. E atraí sim. Eu, com 27 anos, recém formado, bebendo compulsivamente, era óbvio que eu não pertencia àquilo, o que deve ter atiçado horrores os caçadores presentes. Até que um se aproximou. Eu tremia. Tudo de novo, como se nunca tivesse passado por isso. Mas abri a guarda, e nos abraçamos, não consegui beijar, não sei se culpa, ou medo de AIDS, ou ambos. Não queria me sentir sujo. Sujo no sentido de estragar o que eu tinha em casa. Não passou disso, só uma lambida na minha orelha que jamais esquecerei. Fui embora. Fugi. Não queria. Não podia.

Na volta da minha esposa, do Brasil, eu a chamei na sala e disse: -Preciso te falar algo. Acho que sou gay.

Ela me perguntou:-Por que?

Eu: Porque eu fiquei com um cara no dia que te deixei no aeroporto.

Chorei o tempo todo, não sei se era choro de remorso, de alívio por finalmente ter contado pra alguém no mundo as  minhas suspeitas. Ela era a única pessoa no mundo a saber disso. Nunca havia falado nada disso pra ninguém. E o mais louco é que depois que fiz isso passei a ter uma confiança absurda nela. Uma admiração também, que me faz entender o porquê de existirem casamentos que vivam esse formato para sempre. Eu finalmente havia me exposto para a pessoa que eu mais amava e ela não me julgou, não me recriminou, só me escutou. Me abraçou e chorou junto. Não sei por quanto tempo, mas ao fim desse dia me vi ainda mais apaixonado por essa mulher. Ao ponto de achar que nunca mais teria uma recaída dessas. Que nunca mais iria àquele bar, que nunca mais sentiria essa necessidade. Parece que quando mostrei minhas fraquezas, pela primeira vez me senti amado como eu sou. Sem máscaras. Como amei essa mulher!

Foram 3 anos que guardamos esse segredo. Eu pela primeira vez em minha vida podia falar sobre isso com alguém, e chegamos à conclusão que eu deveria ser bissexual. Claro, por que não? Eu adorava transar com minha esposa, tinha que ser bissexual. E se eu era bissexual, eu poderia perfeitamente só fazer sexo com ela, né? Infelizmente não foi bem assim. Outra viagem, outra escapada, só que dessa vez veio a culpa. Uma culpa tão extrema que não esperei nem ela voltar, liguei pra ela aos prantos imediatamente após a traição. Chorava tanto que não conseguia nem falar direito o que estava acontecendo. Quando cheguei em casa, continuei chorando, sozinho, embaixo dos cobertores, quando de repente me lembro que tinha uma arma no armário. E se eu acabasse com isso de uma vez? E se eu livrasse todos de mim? Não sei o que me segurou e eu liguei novamente pra minha esposa. Disse que estava com medo daquela arma. e dias depois ela estava nos EUA, em casa. Como viver a minha sexualidade tendo uma mulher assim? E é por isso que eu entendo muitos homens preferirem guardar esse segredo dentro de seus casamentos. Eu não consegui, chegou um momento que eu precisei viver esse amor maravilhoso que eu tinha com ela com um homem. Queria me sentir completo. Tinha que pensar em mim. E sabia, que linda do jeito que ela é, muitos pretendentes fariam fila, e não deu outra.

Foi difícil a separação? Claro, qual não é? Mas foi honesta! Me orgulho dessa história, foi uma história de amor e não de mentiras. Claro, poderia ter falado pra ela claramente que era gay e que estava tentando não ser, mas nem eu tinha essa certeza. Até meu pai antes do casamento veio contar pra ela que eu já tinha experimentado homem, e ela disse que já sabia. Sim, eu havia dito muito antes, eu não me casaria com alguém totalmente desprevenida, não sou esse tipo de canalha. Relacionamentos, principalmente aqueles repletos de amor, nunca são tão simples. E por isso, só tenho a dizer que cada relacionamento tem sua fórmula, cada casal tem que achar a sua forma de amar, mas não esqueça, tenha coragem de estipular as regras que lhes fazem felizes, seja o quão revolucionárias forem, o que vale é botar as cartas na mesa e ser feliz!

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Brasil, o país que expulsa os gays!

Como eu disse, só retomaria o blog depois que abandonasse o Brasil. Dito e feito. Saí, ou melhor, fui expulso. Sim expulso! O país está literalmente expulsando os gays. Não dá pra morar em um lugar onde 44% dos crimes por motivações homofóbicas acontecem, onde temos a grande possibilidade de eleger uma evangélica que enche a boca pra dizer que casamento só entre um homem e uma mulher, onde matam-se adolescentes gays e enfiam bilhetes em suas bocas com os dizeres: vamos exterminar essa praga, onde existe uma Bancada Evangélica em um Estado que deveria ser laico, onde nem em Ipanema se pode andar de mãos dadas, onde não se criminalizou a homofobia ainda, onde nada avança e muitas vezes ainda retrocede, como é o caso da inflação, simplesmente pra mim tinha dado já. Minha paciência havia se esgotado.

Podem dizer que eu fugi, que eu abandonei a causa, que eu sou fraco, o que for, mas eu não aguentava mais. Não aguento ainda, pois pessoas que eu amo ainda estão nesse país, onde manifestantes são chamados de vândalos para influenciar a opinião pública e adormecer, por sei lá eu mais quantos anos, “o gigante” que entrou em coma de novo. Não dava mais. Não tinha mais estômago para ver todo dia um gay assassinado e ser ignorado nos jornais, como se suas vidas fossem inferiores. É um descaso total com a população LGBT. É feio de se ver tanta alienação, tanto de quem tá no poder, quanto da população que já nem se importa mais.

Só pra vocês terem uma ideia, aqui eu nem tranco a porta da minha casa. Ninguém tranca! Nem carro, nem nada. As pessoas não andam assustadas, não precisam esconder seu celular na rua, nem pensam que serão assaltadas, pois muito provavelmente não serão. Consigo respirar melhor aqui, até o ar é mais leve. A vida é mais leve. As pessoas se cumprimentam! Não te perguntam o que você está olhando, ou se você as achou bonita, elas sorriem pra você. Te cumprimentam, te dão bom dia,e esperam a resposta! São educadas! Não passam na sua frente sem pedir licença. Ah! Quanto temos que aprender… Enfim. Como prometido está reativado o meu blog. E pra comemorar deixo o link da minha entrevista que dei ontem para o IG onde falo o porquê de ter deixado o Brasil, e ainda dou meus pitacos sobre o assunto do momento, que é o relacionamento entre pai gay e filho hetero da novela Império. Vale o clic! E deixe seu comentário. Quero saber de vocês!

blog

http://igay.ig.com.br/2014-09-24/pai-gay-contou-a-verdade-para-filho-aos-8-anos-e-aconselha-conte-na-infancia.html

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Desisto do Brasil!

 

Hoje é um dia emblemático para a luta contra a homofobia no Brasil. A PLC122 acabou de ser enterrada. Pra quem não sabe, esse projeto de lei incluiria os termos “orientação sexual e identidade de gênero” na lei que proíbe a discriminação a outros tipos de categorias. Era simples, inevitável, algo que em qualquer país civilizado passaria, pois estamos vendo no mundo uma evoluções nessas questões, claro que com exceções como a Rússia e a maioria dos países africanos. Mas não, estamos no Brasil, e aqui tudo é muito mais complicado, tudo é muito mais demorado, tudo é muito mais qualquer porra. Enfim, algo assim tão óbvio, deveria ser algo orgânico, mas não, não é, não pode ser. Tudo por causa da pressão absurda de setores religiosos que não se cansam de lutar para barrar qualquer avanço dos direitos dos LGBTs. Agora me diz… Por que??? O que eles ganham? O que é isso??? Não dá mesmo pra entender. Os desgraçados acabaram de apensar a PLC122 ao código penal! O que isso significa? Que pode levar anos até que uma lei seja estabelecida para proteger a classe LGBT, que sofre por tem 1 assassinato a cada 22 horas no Brasil, um país onde 44% dos assassinatos com motivação homofóbica ocorrem em todo planeta.

Passada a minha revolta, eu pergunto: e agora? Pra onde vamos?  O que esperar? O que fazer? Eu mesmo respondo. NÃO FAÇO A MENOR IDEIA!  Quero mesmo ir embora desse país de merda, desse país onde o fundamentalismo evangélico criou tentáculos e usurpou o poder. Não tem mais como acreditar no Brasil. Não tem mais por quê viver aqui. Não dá mais! Sim, eu sei que não devemos desistir, que não devemos nos entregar, mas será que não existe um limite para nossa tolerância? Será que dá mesmo para lutarmos contra um bando de corruptos que são piores que os mais carrascos militares do auge da ditadura? Essa cambada que está no poder não dá mesmo para ter nenhuma esperança de melhora.  Estou desistindo do Brasil hoje.

Renuncio à minha cidadania! Não sou mais brasileiro e farei de tudo para sumir desse país de merda.

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BOMBA! Papai Gay conta segredos sexuais na Globo News!

Tá aí a nossa parte, minha e do meu filho sobre a aceitação de pais homossexuais. Revelei segredos que até hoje eram guardados a 7 chaves. Uma bomba mesmo!

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Dia do pai gay!

Nossa, nem sei como dizer o quanto estou feliz hoje. Filhão lindo me levou pra conhecer um lugar incrível! Várias cervejas importadas, um lugar típico de pais heterossexuais, mas e daí? Qual a diferença? Pai gay, pai hetero, ser humano gay, ser humano hetero? Tudo igual. Estava eu, meu filho e todo o bar nos divertindo ao máximo! Quando será que a sociedade vai entender que não existe absolutamente nenhuma diferença? Pai gay, pai hetero, é tudo PAI!

Sentamos ao lado de um casal heterossexual, provavelmente na casa dos 25, 30 anos, estávamos bem à vontade, conversamos muito, até que sei lá por que cargas d’água resolvi falar que eu era o pai do meu filho e que eu era gay. Nossa! Pra que? E a pergunta de sempre: -COMO ASSIM?

Claro, eu sei que não pareço ser pai de um marmanjo barbado como o meu filho, mas eu sou. Então, sem pestanejar, vomitei toda a minha história! O povo amou! Óbvio. Show de graça, quem não gosta? Mas de uma certa forma, é tão gratificante poder ser quem você é, que me revigorou muito. Adoro ser franco, sincero, falar pra Deus e todo mundo o que se passa na minha vida. O casal nos amou! Trocamos facebook, prometemos nos ver de novo, sermos amigos, e quem sabe conseguiremos… Meu filho sabe muito bem como me proporcionar uma bela saída!

Contei sobre a minha vida. Tudo que já passei! E que, quem acompanha meu blog sabe, não é nada fácil. Mas, uma esperança me arremata. Uma vontade de resultados imediatos também. Falei o que devia e o que não devia. Expliquei que queremos ter o direito de sermos IGUAIS! Nem mais, nem menos. Não me interessa o discurso de que o mundo já evoluiu muito! Quero ser parte da mudança. De que me importa se o mundo vai ser mais liberal daqui a 20 anos? Quero isso agora! Quero ter o direito de beijar meu marido a hora que eu bem entender! Quero que isso não seja considerado uma ofensa a ninguém, pois não é mesmo! Quero tanto!Quero tudo o que os casais hetero nem notam que têm, que nem sei por onde começar. Talvez, por um beijo público, ou quem sabe, um abraço apertado com direito a tapinha na bunda! Não posso ter nada disso. Não posso me expressar. Não posso ser!

No dia dos pais, peço apenas igualdade! Peço apenas a mudança! Peço que as pessoas reflitam! Não peço muito, peço que as pessoas pensem por si só. Parem de repetir padrões de seus pais, avós e bisavós. Peço o amor! Peço o beijo! Peço o carinho, as mãos dadas! Vamos lá! Nós vamos conseguir. Acredito em um futuro onde os gays possam amar em paz. Acredito no amor! Acredito em mim e principalmente, acredito na família! Que estupidez achar que gay é contra a família! Quem seria eu, sem meu filho? O que seria de mim, sem minha mãe? Meu pai? Nossa! Família é aquela que te aceita… Do seu jeito. No seu tempo! Filho, posso dizer, sem dúvida, que você é a minha família, minha vida, obrigado por tudo que você já me proporcionou e que tenho certeza irá proporcionar muito mais. Te amo!

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Gay é espancado e queimado vivo na África!

 

CENAS EXTREMAMENTE CHOCANTES! Um homem negro na África é morto após levar pancadas e ser incendiado VIVO! Existem muitos relatos na internet sobre esse caso, mas o consenso é que era um homem gay e que foi morto por homofobia. Na Uganda e em outros trinta e tantos países ser gay é crime, e em muitos, punido com a pena de morte. A maldade humana, nesses casos, é tão absurda que a própria população de lá acredita que gays são o demônio, e justificam suas mortes por isso. Existem alguns documentários que provam que existe uma influência enorme de grupos EVANGÉLICOS fundamentalistas americanos por trás dessa lavagem cerebral sofrida por esse povo sem estudo e educação. Mesmo assim, não consigo entender como podemos ter, nos dias de hoje, assassinatos assim tão cheios de ódio com o apoio popular. No Brasil, temos uma Bancada Evangélica no Congresso que quer nos transformar em uma África fundamentalista também, precisamos desmascarar essa loucura. Criando-se um demônio, no caso os gays, pode-se promover uma salvação através dos “milagres” contra esse demônio. A “cura gay” nada mais é do que uma tentativa de se legitimar absurdos como esses desse video. No caso, o homem que foi morto cruelmente e incendiado ainda vivo, era desumano, um capeta, um gay, logo merecia morrer. Essas cenas são tão perturbadoras para um gay que não sei nem o que dizer mais dessa loucura que é a homofobia. Não sei o que mais precisa ser discutido, para que todos entendam que não se trata de nenhum privilégio uma lei que puna com mais vigor crimes contra a orientação sexual dos outros, não sei mais o que dizer sobre o estúpido argumento de que não existe homofobia no Brasil, não sei mais o que dizer pra que as pessoas mudem seu comportamento e parem de achar que gays são mais propensos a serem pedófilos, não sei mais o que dizer sobre tanta falta de compaixão de quem não faz parte de minoria alguma e cisma em achar que a maioria, a qual ele pertence, está sempre certa e se recusa a conviver com o diferente, simplesmente não sei mais o que dizer, por isso essas imagens tão chocantes, tão reais e tão absurdas falarão por si mesmas e quem sabe enfiem de vez na cabeça das pessoas a urgência de se acabar com a homofobia no planeta Terra!

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Grande vitória! Casamento deixa de ser entre homem e mulher apenas!

A Suprema Corte Americana julgou hoje INCONSTITUCIONAL o DOMA (Defense of Marriage Act) que definia como sendo casamento apenas entre um homem e uma mulher. Que boa notícia, né? Por causa dessa maldita lei sancionada pelo então presidente Bill Clinton, que se diz arrependido hoje, milhares de casais LGBTs não eram reconhecidos a nível federal nos Estados Unidos. Ou seja, eram cidadãos de segunda classe, pagando seus impostos e não tendo os mesmos benefícios perante a lei. Era uma covardia! Uma afronta à dignidade LGBT de todos nós.

É muito gratificante poder divulgar essas notícias humanas, sociais e justas. Me dá um prazer imenso estar vivo nesse período. Só em pensar que muitos dos que me antecederam, lutaram, lutaram e lutaram e não chegaram nem perto de ver esses avanços. Oscar Wilde, tadinho, foi preso por ousar viver esse amor tão condenado em sua época. Harvey Milk, assassinado ainda no seu mandato, quando tinha tanta coisa ainda por fazer… São tantos os guerreiros que não estão entre nós para celebrar esse momento histórico que me envergonho de não saber citá-los nesse post. É triste que não tenhamos aulas sobre nossos heróis, sobre a homossexualidade e sua trajetória no mundo. Até no ensino, querem nos calar. Espero que isso mude, que meus netos possam estudar a vida desses nobres “ativistas” que deram suas vidas por um mundo sem homofobia.

Quanto a mim, só posso ficar feliz, esperava esse avanço ansioso, tenho um filho americano que já completou 21 anos e pode pedir cidadania pra mim, mas como tenho um namorado/marido, nunca levei adiante, com seriedade isso, pois teríamos que nos separar. Agora não! Com os benefícios federais adquiridos com essa decisão do Supremo americano, reformas nas leis de imigração não tardarão, e minha família poderá continuar unida, forte e saudável. Eram essas tecnicalidades que estavam em jogo, e por isso essa lei se tornava tão preconceituosa. No meu caso se eu fosse heterossexual não teria me deparado com essa questão, casaria com minha esposa e ela receberia o green card. Agora posso casar com meu esposo e ELE receber o green card, ou seja, direitos IGUAIS. Me sinto bem, me sinto IGUAL, me sinto mais cidadão do mundo, hoje. Começo novamente a acreditar na humanidade e no futuro, tanto fora do meu país quanto dentro. Aqui, finalmente começamos a acordar para os absurdos que falsos cristãos vêm pregando. Estamos lutando para tirar o pastor Marco Feliciano, e outros tantos que nos envergonham e vamos conseguir. A população brasileira finalmente acordou e foi às ruas exigir seus direitos, junto com os LGBTs que já estavam “acordados” há muito tempo! Hoje tenho a certeza de que estamos avançando. Que vamos um dia passear de mãos dadas no parque, que vamos ouvir de religiosos seus pedidos de desculpas, que não teremos mais adolescentes se matando por não conseguirem suportar mais o bullying nas escolas, que nenhum pai ou mãe diga que não gostaria de ter um filho gay, que nosso amor seja visto como sagrado, que ao chamar meu marido de gato ninguém arregale os olhos, que eu não escute mais diariamente alguém usar a palavra viado pra ofender, que as crianças possam usar a cor que quiserem, ou seja, que seremos IGUAIS!

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Entrevista do Papai Gay na Fátima Bernardes!

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