Sair ou não de um casamento por ser gay?

casamento partido

Pois é, chegou o momento, o confronto com seus fantasmas, o momento de decidir entre o amor e a sexualidade. Isso, é claro, se você ama o seu, ou a sua, espos@. Qual o espanto? Achou que um@ gay não poderia verdadeiramente amar o sexo oposto? Pois bem…Muitos, como eu, amaram. Muitos, como eu, não estavam casados por aparência. Muitos, como eu, tiveram que pesar todas as opções antes de sequer deixar que essa dúvida lhes invadisse o coração. Pra mim, foram 10 anos.

Muitos me perguntam se eu sabia que era gay quando me casei, e o mais importante, é claro, se ela sabia. Eu enrolo, me sinto mal, me questiono, me julgo, me culpo, mas respondo. Mais ou menos. Pera lá, ou sabe ou não sabe. Será? Todos que me conheciam tinham suas suspeitas e faziam questão de externá-las. Mas vamos por partes. Eu sempre soube, é só ler o meu post “Eu nascí gay” que explico em detalhes. Aqui, vou me limitar a dizer que eu SEMPRE soube, mas não queria ser. Quem quer? E não é porque é ruim, ou porque eu conscientemente achava que era errado, era apenas por ver como a sociedade nos tratava: o deboche, a chacota, a desvalorização de nossas vidas, de nossa cidadania. Não, eu não queria ser gay de jeito nenhum. Mas, é difícil para um adolescente dos anos 80, de uma hora pra outra, chegar pra sua namorada e dizer algo que nem ele tem certeza de que será pra sempre. Eu sabia que era gay, ok, mas também achava que não seria para sempre, que isso morreria em mim, ou pelo menos eu tinha a esperança. Mas, pra não dizer que fui um completo covarde e me casei sem dar a menor pinta de que isso poderia vir à tona, contei a ela que já havia “experimentado” transar com homem, mas que não havia gostado. Na verdade eu gostava, e gostava muito, mas ao mesmo tempo também gostava de transar com ela. Fui covarde? Sim! Hoje enxergo isso. Mas não era hoje, era um adolescente tentando se encaixar no mundo, tentando parar de sentir vontade de se matar, tentando encarar as pessoas de frente. E isso ela me deu. Com ela eu era forte, eu era “macho”, eu me enquadrava. Era amor.

Posso dizer que fomos muito felizes, muito mesmo. Ao ponto de não pensar mais em homens, de achar que tivesse tudo resolvido, que eu conseguiria ser feliz. E principalmente fazê-la feliz. Fomos muito felizes, não tenho dúvidas disso, e o fruto disso foi meu filho, que nem vou começar a falar pra poder terminar esse post ainda hoje. Foram anos inesquecíveis. Até o sétimo ano de casamento eu havia sufocado o gay em mim, não a trai, nem pensava nisso. Tínhamos nossas brigas como qualquer outro casal. E após 7 anos qualquer relacionamento passa por um desgaste. Conosco não foi diferente. Morávamos nos EUA e decidimos que ela viria pro Brasil ficar um tempo. Umas férias conjugais. Pois bem, foi deixar ela no aeroporto de Los Angeles que meu carro, não sei se por instinto, não sei se em alguma forma de transe, não sei, só sei que eu estava na porta de um bar gay. O coração acelerado. Tudo voltava, como uma avalanche, me embrulhando o estômago, me empurrando pra cerveja gelada, servida pelo descamisado bartender e seu sorriso sexy. Lá estava eu. Como um desertor que volta pro seu exército, mas que esqueceu como se atira, como se manuseia sua arma, como quem viveu em tempos de paz e agora não tem a menor ideia de como voltar pras trincheiras.

Mas lá estava eu. Naquele bar. Nunca fui de chegar em cima, de tomar a iniciativa, sempre gostei de atrair. E atraí sim. Eu, com 27 anos, recém formado, bebendo compulsivamente, era óbvio que eu não pertencia àquilo, o que deve ter atiçado horrores os caçadores presentes. Até que um se aproximou. Eu tremia. Tudo de novo, como se nunca tivesse passado por isso. Mas abri a guarda, e nos abraçamos, não consegui beijar, não sei se culpa, ou medo de AIDS, ou ambos. Não queria me sentir sujo. Sujo no sentido de estragar o que eu tinha em casa. Não passou disso, só uma lambida na minha orelha que jamais esquecerei. Fui embora. Fugi. Não queria. Não podia.

Na volta da minha esposa, do Brasil, eu a chamei na sala e disse: -Preciso te falar algo. Acho que sou gay.

Ela me perguntou:-Por que?

Eu: Porque eu fiquei com um cara no dia que te deixei no aeroporto.

Chorei o tempo todo, não sei se era choro de remorso, de alívio por finalmente ter contado pra alguém no mundo as  minhas suspeitas. Ela era a única pessoa no mundo a saber disso. Nunca havia falado nada disso pra ninguém. E o mais louco é que depois que fiz isso passei a ter uma confiança absurda nela. Uma admiração também, que me faz entender o porquê de existirem casamentos que vivam esse formato para sempre. Eu finalmente havia me exposto para a pessoa que eu mais amava e ela não me julgou, não me recriminou, só me escutou. Me abraçou e chorou junto. Não sei por quanto tempo, mas ao fim desse dia me vi ainda mais apaixonado por essa mulher. Ao ponto de achar que nunca mais teria uma recaída dessas. Que nunca mais iria àquele bar, que nunca mais sentiria essa necessidade. Parece que quando mostrei minhas fraquezas, pela primeira vez me senti amado como eu sou. Sem máscaras. Como amei essa mulher!

Foram 3 anos que guardamos esse segredo. Eu pela primeira vez em minha vida podia falar sobre isso com alguém, e chegamos à conclusão que eu deveria ser bissexual. Claro, por que não? Eu adorava transar com minha esposa, tinha que ser bissexual. E se eu era bissexual, eu poderia perfeitamente só fazer sexo com ela, né? Infelizmente não foi bem assim. Outra viagem, outra escapada, só que dessa vez veio a culpa. Uma culpa tão extrema que não esperei nem ela voltar, liguei pra ela aos prantos imediatamente após a traição. Chorava tanto que não conseguia nem falar direito o que estava acontecendo. Quando cheguei em casa, continuei chorando, sozinho, embaixo dos cobertores, quando de repente me lembro que tinha uma arma no armário. E se eu acabasse com isso de uma vez? E se eu livrasse todos de mim? Não sei o que me segurou e eu liguei novamente pra minha esposa. Disse que estava com medo daquela arma. e dias depois ela estava nos EUA, em casa. Como viver a minha sexualidade tendo uma mulher assim? E é por isso que eu entendo muitos homens preferirem guardar esse segredo dentro de seus casamentos. Eu não consegui, chegou um momento que eu precisei viver esse amor maravilhoso que eu tinha com ela com um homem. Queria me sentir completo. Tinha que pensar em mim. E sabia, que linda do jeito que ela é, muitos pretendentes fariam fila, e não deu outra.

Foi difícil a separação? Claro, qual não é? Mas foi honesta! Me orgulho dessa história, foi uma história de amor e não de mentiras. Claro, poderia ter falado pra ela claramente que era gay e que estava tentando não ser, mas nem eu tinha essa certeza. Até meu pai antes do casamento veio contar pra ela que eu já tinha experimentado homem, e ela disse que já sabia. Sim, eu havia dito muito antes, eu não me casaria com alguém totalmente desprevenida, não sou esse tipo de canalha. Relacionamentos, principalmente aqueles repletos de amor, nunca são tão simples. E por isso, só tenho a dizer que cada relacionamento tem sua fórmula, cada casal tem que achar a sua forma de amar, mas não esqueça, tenha coragem de estipular as regras que lhes fazem felizes, seja o quão revolucionárias forem, o que vale é botar as cartas na mesa e ser feliz!

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Brasil, o país que expulsa os gays!

Como eu disse, só retomaria o blog depois que abandonasse o Brasil. Dito e feito. Saí, ou melhor, fui expulso. Sim expulso! O país está literalmente expulsando os gays. Não dá pra morar em um lugar onde 44% dos crimes por motivações homofóbicas acontecem, onde temos a grande possibilidade de eleger uma evangélica que enche a boca pra dizer que casamento só entre um homem e uma mulher, onde matam-se adolescentes gays e enfiam bilhetes em suas bocas com os dizeres: vamos exterminar essa praga, onde existe uma Bancada Evangélica em um Estado que deveria ser laico, onde nem em Ipanema se pode andar de mãos dadas, onde não se criminalizou a homofobia ainda, onde nada avança e muitas vezes ainda retrocede, como é o caso da inflação, simplesmente pra mim tinha dado já. Minha paciência havia se esgotado.

Podem dizer que eu fugi, que eu abandonei a causa, que eu sou fraco, o que for, mas eu não aguentava mais. Não aguento ainda, pois pessoas que eu amo ainda estão nesse país, onde manifestantes são chamados de vândalos para influenciar a opinião pública e adormecer, por sei lá eu mais quantos anos, “o gigante” que entrou em coma de novo. Não dava mais. Não tinha mais estômago para ver todo dia um gay assassinado e ser ignorado nos jornais, como se suas vidas fossem inferiores. É um descaso total com a população LGBT. É feio de se ver tanta alienação, tanto de quem tá no poder, quanto da população que já nem se importa mais.

Só pra vocês terem uma ideia, aqui eu nem tranco a porta da minha casa. Ninguém tranca! Nem carro, nem nada. As pessoas não andam assustadas, não precisam esconder seu celular na rua, nem pensam que serão assaltadas, pois muito provavelmente não serão. Consigo respirar melhor aqui, até o ar é mais leve. A vida é mais leve. As pessoas se cumprimentam! Não te perguntam o que você está olhando, ou se você as achou bonita, elas sorriem pra você. Te cumprimentam, te dão bom dia,e esperam a resposta! São educadas! Não passam na sua frente sem pedir licença. Ah! Quanto temos que aprender… Enfim. Como prometido está reativado o meu blog. E pra comemorar deixo o link da minha entrevista que dei ontem para o IG onde falo o porquê de ter deixado o Brasil, e ainda dou meus pitacos sobre o assunto do momento, que é o relacionamento entre pai gay e filho hetero da novela Império. Vale o clic! E deixe seu comentário. Quero saber de vocês!

blog

http://igay.ig.com.br/2014-09-24/pai-gay-contou-a-verdade-para-filho-aos-8-anos-e-aconselha-conte-na-infancia.html

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Desisto do Brasil!

 

Hoje é um dia emblemático para a luta contra a homofobia no Brasil. A PLC122 acabou de ser enterrada. Pra quem não sabe, esse projeto de lei incluiria os termos “orientação sexual e identidade de gênero” na lei que proíbe a discriminação a outros tipos de categorias. Era simples, inevitável, algo que em qualquer país civilizado passaria, pois estamos vendo no mundo uma evoluções nessas questões, claro que com exceções como a Rússia e a maioria dos países africanos. Mas não, estamos no Brasil, e aqui tudo é muito mais complicado, tudo é muito mais demorado, tudo é muito mais qualquer porra. Enfim, algo assim tão óbvio, deveria ser algo orgânico, mas não, não é, não pode ser. Tudo por causa da pressão absurda de setores religiosos que não se cansam de lutar para barrar qualquer avanço dos direitos dos LGBTs. Agora me diz… Por que??? O que eles ganham? O que é isso??? Não dá mesmo pra entender. Os desgraçados acabaram de apensar a PLC122 ao código penal! O que isso significa? Que pode levar anos até que uma lei seja estabelecida para proteger a classe LGBT, que sofre por tem 1 assassinato a cada 22 horas no Brasil, um país onde 44% dos assassinatos com motivação homofóbica ocorrem em todo planeta.

Passada a minha revolta, eu pergunto: e agora? Pra onde vamos?  O que esperar? O que fazer? Eu mesmo respondo. NÃO FAÇO A MENOR IDEIA!  Quero mesmo ir embora desse país de merda, desse país onde o fundamentalismo evangélico criou tentáculos e usurpou o poder. Não tem mais como acreditar no Brasil. Não tem mais por quê viver aqui. Não dá mais! Sim, eu sei que não devemos desistir, que não devemos nos entregar, mas será que não existe um limite para nossa tolerância? Será que dá mesmo para lutarmos contra um bando de corruptos que são piores que os mais carrascos militares do auge da ditadura? Essa cambada que está no poder não dá mesmo para ter nenhuma esperança de melhora.  Estou desistindo do Brasil hoje.

Renuncio à minha cidadania! Não sou mais brasileiro e farei de tudo para sumir desse país de merda.

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BOMBA! Papai Gay conta segredos sexuais na Globo News!

Tá aí a nossa parte, minha e do meu filho sobre a aceitação de pais homossexuais. Revelei segredos que até hoje eram guardados a 7 chaves. Uma bomba mesmo!

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Dia do pai gay!

Nossa, nem sei como dizer o quanto estou feliz hoje. Filhão lindo me levou pra conhecer um lugar incrível! Várias cervejas importadas, um lugar típico de pais heterossexuais, mas e daí? Qual a diferença? Pai gay, pai hetero, ser humano gay, ser humano hetero? Tudo igual. Estava eu, meu filho e todo o bar nos divertindo ao máximo! Quando será que a sociedade vai entender que não existe absolutamente nenhuma diferença? Pai gay, pai hetero, é tudo PAI!

Sentamos ao lado de um casal heterossexual, provavelmente na casa dos 25, 30 anos, estávamos bem à vontade, conversamos muito, até que sei lá por que cargas d’água resolvi falar que eu era o pai do meu filho e que eu era gay. Nossa! Pra que? E a pergunta de sempre: -COMO ASSIM?

Claro, eu sei que não pareço ser pai de um marmanjo barbado como o meu filho, mas eu sou. Então, sem pestanejar, vomitei toda a minha história! O povo amou! Óbvio. Show de graça, quem não gosta? Mas de uma certa forma, é tão gratificante poder ser quem você é, que me revigorou muito. Adoro ser franco, sincero, falar pra Deus e todo mundo o que se passa na minha vida. O casal nos amou! Trocamos facebook, prometemos nos ver de novo, sermos amigos, e quem sabe conseguiremos… Meu filho sabe muito bem como me proporcionar uma bela saída!

Contei sobre a minha vida. Tudo que já passei! E que, quem acompanha meu blog sabe, não é nada fácil. Mas, uma esperança me arremata. Uma vontade de resultados imediatos também. Falei o que devia e o que não devia. Expliquei que queremos ter o direito de sermos IGUAIS! Nem mais, nem menos. Não me interessa o discurso de que o mundo já evoluiu muito! Quero ser parte da mudança. De que me importa se o mundo vai ser mais liberal daqui a 20 anos? Quero isso agora! Quero ter o direito de beijar meu marido a hora que eu bem entender! Quero que isso não seja considerado uma ofensa a ninguém, pois não é mesmo! Quero tanto!Quero tudo o que os casais hetero nem notam que têm, que nem sei por onde começar. Talvez, por um beijo público, ou quem sabe, um abraço apertado com direito a tapinha na bunda! Não posso ter nada disso. Não posso me expressar. Não posso ser!

No dia dos pais, peço apenas igualdade! Peço apenas a mudança! Peço que as pessoas reflitam! Não peço muito, peço que as pessoas pensem por si só. Parem de repetir padrões de seus pais, avós e bisavós. Peço o amor! Peço o beijo! Peço o carinho, as mãos dadas! Vamos lá! Nós vamos conseguir. Acredito em um futuro onde os gays possam amar em paz. Acredito no amor! Acredito em mim e principalmente, acredito na família! Que estupidez achar que gay é contra a família! Quem seria eu, sem meu filho? O que seria de mim, sem minha mãe? Meu pai? Nossa! Família é aquela que te aceita… Do seu jeito. No seu tempo! Filho, posso dizer, sem dúvida, que você é a minha família, minha vida, obrigado por tudo que você já me proporcionou e que tenho certeza irá proporcionar muito mais. Te amo!

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Gay é espancado e queimado vivo na África!

 

CENAS EXTREMAMENTE CHOCANTES! Um homem negro na África é morto após levar pancadas e ser incendiado VIVO! Existem muitos relatos na internet sobre esse caso, mas o consenso é que era um homem gay e que foi morto por homofobia. Na Uganda e em outros trinta e tantos países ser gay é crime, e em muitos, punido com a pena de morte. A maldade humana, nesses casos, é tão absurda que a própria população de lá acredita que gays são o demônio, e justificam suas mortes por isso. Existem alguns documentários que provam que existe uma influência enorme de grupos EVANGÉLICOS fundamentalistas americanos por trás dessa lavagem cerebral sofrida por esse povo sem estudo e educação. Mesmo assim, não consigo entender como podemos ter, nos dias de hoje, assassinatos assim tão cheios de ódio com o apoio popular. No Brasil, temos uma Bancada Evangélica no Congresso que quer nos transformar em uma África fundamentalista também, precisamos desmascarar essa loucura. Criando-se um demônio, no caso os gays, pode-se promover uma salvação através dos “milagres” contra esse demônio. A “cura gay” nada mais é do que uma tentativa de se legitimar absurdos como esses desse video. No caso, o homem que foi morto cruelmente e incendiado ainda vivo, era desumano, um capeta, um gay, logo merecia morrer. Essas cenas são tão perturbadoras para um gay que não sei nem o que dizer mais dessa loucura que é a homofobia. Não sei o que mais precisa ser discutido, para que todos entendam que não se trata de nenhum privilégio uma lei que puna com mais vigor crimes contra a orientação sexual dos outros, não sei mais o que dizer sobre o estúpido argumento de que não existe homofobia no Brasil, não sei mais o que dizer pra que as pessoas mudem seu comportamento e parem de achar que gays são mais propensos a serem pedófilos, não sei mais o que dizer sobre tanta falta de compaixão de quem não faz parte de minoria alguma e cisma em achar que a maioria, a qual ele pertence, está sempre certa e se recusa a conviver com o diferente, simplesmente não sei mais o que dizer, por isso essas imagens tão chocantes, tão reais e tão absurdas falarão por si mesmas e quem sabe enfiem de vez na cabeça das pessoas a urgência de se acabar com a homofobia no planeta Terra!

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Grande vitória! Casamento deixa de ser entre homem e mulher apenas!

A Suprema Corte Americana julgou hoje INCONSTITUCIONAL o DOMA (Defense of Marriage Act) que definia como sendo casamento apenas entre um homem e uma mulher. Que boa notícia, né? Por causa dessa maldita lei sancionada pelo então presidente Bill Clinton, que se diz arrependido hoje, milhares de casais LGBTs não eram reconhecidos a nível federal nos Estados Unidos. Ou seja, eram cidadãos de segunda classe, pagando seus impostos e não tendo os mesmos benefícios perante a lei. Era uma covardia! Uma afronta à dignidade LGBT de todos nós.

É muito gratificante poder divulgar essas notícias humanas, sociais e justas. Me dá um prazer imenso estar vivo nesse período. Só em pensar que muitos dos que me antecederam, lutaram, lutaram e lutaram e não chegaram nem perto de ver esses avanços. Oscar Wilde, tadinho, foi preso por ousar viver esse amor tão condenado em sua época. Harvey Milk, assassinado ainda no seu mandato, quando tinha tanta coisa ainda por fazer… São tantos os guerreiros que não estão entre nós para celebrar esse momento histórico que me envergonho de não saber citá-los nesse post. É triste que não tenhamos aulas sobre nossos heróis, sobre a homossexualidade e sua trajetória no mundo. Até no ensino, querem nos calar. Espero que isso mude, que meus netos possam estudar a vida desses nobres “ativistas” que deram suas vidas por um mundo sem homofobia.

Quanto a mim, só posso ficar feliz, esperava esse avanço ansioso, tenho um filho americano que já completou 21 anos e pode pedir cidadania pra mim, mas como tenho um namorado/marido, nunca levei adiante, com seriedade isso, pois teríamos que nos separar. Agora não! Com os benefícios federais adquiridos com essa decisão do Supremo americano, reformas nas leis de imigração não tardarão, e minha família poderá continuar unida, forte e saudável. Eram essas tecnicalidades que estavam em jogo, e por isso essa lei se tornava tão preconceituosa. No meu caso se eu fosse heterossexual não teria me deparado com essa questão, casaria com minha esposa e ela receberia o green card. Agora posso casar com meu esposo e ELE receber o green card, ou seja, direitos IGUAIS. Me sinto bem, me sinto IGUAL, me sinto mais cidadão do mundo, hoje. Começo novamente a acreditar na humanidade e no futuro, tanto fora do meu país quanto dentro. Aqui, finalmente começamos a acordar para os absurdos que falsos cristãos vêm pregando. Estamos lutando para tirar o pastor Marco Feliciano, e outros tantos que nos envergonham e vamos conseguir. A população brasileira finalmente acordou e foi às ruas exigir seus direitos, junto com os LGBTs que já estavam “acordados” há muito tempo! Hoje tenho a certeza de que estamos avançando. Que vamos um dia passear de mãos dadas no parque, que vamos ouvir de religiosos seus pedidos de desculpas, que não teremos mais adolescentes se matando por não conseguirem suportar mais o bullying nas escolas, que nenhum pai ou mãe diga que não gostaria de ter um filho gay, que nosso amor seja visto como sagrado, que ao chamar meu marido de gato ninguém arregale os olhos, que eu não escute mais diariamente alguém usar a palavra viado pra ofender, que as crianças possam usar a cor que quiserem, ou seja, que seremos IGUAIS!

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Entrevista do Papai Gay na Fátima Bernardes!

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Minha experiência com a “Cura Gay”

É isso mesmo gente. EU também já cai nessa de “cura gay”. Tá certo que foi há muitos anos, que eu era apenas um adolescente, que fui meio que induzido a isso, mas eu tentei, ou melhor dizendo, tentaram me “curar”. Enfim, acho melhor começar do começo.

Por volta dos meus 18 anos, no auge da epidemia da AIDS, comecei a questionar se eu seria mesmo gay, ou até mesmo, se eu QUERIA ser gay. Cheguei à conclusão mais covarde, que foi a de que, não, eu não queria ser gay. Achei uma brecha, ou quem sabe, meu pai achou, e me fez crer que eu é quem estava achando, e consegui introduzir o assunto em um dos muitos papos que tínhamos ao cair da noite. De alguma forma, que não me lembro exatamente, relatei a ele que já havia experimentado transar com homem, e que, apesar de namorar muitas meninas, nunca havia finalizado a transa com nenhuma delas. E que eu achava isso estranho e queria inverter isso. Eu queria conseguir. Por quê? Eu não sei dizer. Talvez para me encaixar aos moldes sociais, talvez por ego, talvez por achar que não pegaria uma doença, sei lá. Conversa pra cá, desabafo pra lá, e ele sugere que eu transe com uma das minhas melhores amigas. Que eu deveria contar a ela da minha virgindade, e como ela era mais experiente, me ensinaria o caminho das pedras. Dito e feito. Arrumei as chaves do apartamento da minha avó, e quando ela não estava, lá estávamos nós. Dois adolescentes, cheios de hormônios e um desejo sexual que só se tem nessa idade. Levou uns 2 dias pra coisa acontecer naturalmente, e quando aconteceu, foi uma das melhores experiências da minha vida. Cheguei ao orgasmo 7 vezes e jamais consegui bater esse record. Estava resolvido. Não seria mais gay. Nunca havia sido.

Doce ilusão essa. Mas que durou 10 anos da minha vida. Nesse período fiz de tudo, muito esporte, coisas de macho, do tipo: Jiu Jitsu, kaiaki, windsurf, ski, etc. Não sei bem se consegui em algum momento acreditar nessa cura, mas com certeza, enganei muita gente, inclusive a mim. No começo, quando eu ainda estava tentando transar com essa garota que meu pai havia sugerido, tive um período, que durou mais ou menos 2 semanas, em que ninguém conseguia conversar comigo. Catapultado por esses papos com meu pai, ou quem sabe até induzido por ele, em uma manobra para me heteronormatizar, jamais saberei, pois ele já faleceu. fiquei em um estado catatônico de reflexão, parecendo até meio autista, mas me lembro perfeitamente de tudo que passou na minha cabeça. Fiz uma reflexão de tudo que havia acontecido sexualmente na minha vida até então, tentando de forma desesperada fazer algum sentido. Fiz uma lista na minha cabeça de todos os encontros sexuais da minha vida. Antes mesmo de transar com uma mulher sequer, eu já havia, para meu espanto, “transado” com 38 homens. Eu tomei um susto quando fiz essa conta aos 18 anos, pois cada um desses episódios foi regado a muito álcool e cercado de um total anonimato que me bloqueava inclusive de lembrar da sua ocorrência. Era tanta culpa em cada um desses encontros que eu esquecia imediatamente após terem acontecido. E foi nessas 2 semanas que tudo veio à tona e consegui finalmente juntar os pedaços do meu passado em um só cronograma. Me apavorei. Cortei minha homossexualidade nesse momento! Não seria mais gay de jeito nenhum.

Cheguei a acreditar que estava curado, mas o que eu fiz foi  mentir para mim e para o mundo. Tentei de tudo. Até um psicólogo, meu pai arrumou pra mim. Mas eu, muito esperto, ao chegar ao consultório, já bem desconfiado daquilo tudo, indaguei o valor da consulta e comecei o meu relato. Como na época meu pai era milionário, eu já era bem cascudo contra interesseiros em geral e testava todos eles. No caso do psicólogo, peguei ele quando ao final da consulta fingi não lembrar o preço e perguntei de novo. Obviamente, após conhecer nossa situação financeira, seu preço inflacionou um pouco e eu pude ter certeza do charlatanismo dele. Mas, o que o eliminou de vez da minha vida foi quando ao final lhe perguntei se caso eu quisesse continuar a sair com homens, qual seria o problema disso. E ele sem pestanejar afirmou que eu não estaria curado. Nunca mais voltei.

Depois dessa namorada que meu pai sugeriu, tive poucas outras e logo conheci minha ex-mulher. Começavam ai meus 10 anos de jejum. A parte boa é que dessa relação nasceu meu filho. Só isso já vale qualquer sacrifício. Não sei se teria procriado se tivesse me assumido aos 18. Por esse ângulo, e só por isso, não me arrependo de tantos anos no armário. Mas que a vida fora dele é bem mais a minha cara, isso não tenho dúvida. Amo a liberdade que conquistei, e acho que só tenho tanta vontade de comunicar o que vivi porque estive reprimido por tanto tempo. Só por não ter vivido plenamente por 10 anos, criei essa gana, essa paixão, de ser o mais fiel a mim possível. Sou gay, e por tudo que passei, me orgulho muito disso. Não é exatamente o fato de ser gay que me dá orgulho, e sim o de ter lutado contra tudo e todos para poder sê-lo.

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Vai ficar do jeito que está???

Os corruptos e maus-caráteres estão vencendo pelo cansaço. No País dos absurdos que se tornou o Brasil, confiar na impunidade e no esquecimento são a aposta da vez. Manifestações públicas viraram o deboche dos governantes, nem se incomodam mais. Tudo com o aval do Governo Federal que simplesmente se omite a qualquer polêmica em troca de uma suposta reeleição. O que será que está acontecendo com a fibra do brasileiro? Viramos todos uns frouxos?

Não quero crer nisso. Mas, me vejo obrigado a pensar assim. Fomos às ruas em vários protestos recentemente, um para tirar o Renan Calheiros da presidência do Senado, outro para rejeitar a eleição do pastor homofóbico e racista Marco Feliciano para a CDHM, mais um para eleger Marcelo Freixo, e ainda outro para impedir a destruição do parque aquático do Maracanã que se tornará um estacionamento, sem falar no Museu do Índio… Tudo isso foi completamente ignorado por Dilma, que quando abre a boca fala merda, do tipo: “Não faremos propaganda de OPÇÃO sexual” quando vetou o kit anti-homofobia. Esse descaso com a opinião pública está dando nos nervos. Por que não conseguimos nada? Paralisamos o sistema por alguns dias, talvez algumas semanas, com nossos protestos, mas os governantes aprenderam que se sentarem em cima do problema, ele se vai, como se nunca tivesse existido e tudo continua como estava, a mesma merda. Renan continua no Senado, Feliciano na comissão, Marcelo Freixo não foi eleito prefeito do Rio, o museu foi tomado e o parque aquático, com certeza, vai ser derrubado. PORRA! Que bosta de País é esse que não escuta seu povo?

Se tudo isso não fosse o suficiente para enlouquecer qualquer cidadão do bem, ainda vêm esses religiosos fanáticos tentar inverter a situação e se fazerem de vítimas! Perseguem, julgam, condenam tudo e todos, mas no final dizem que são injustiçados e que não têm liberdade religiosa para fuder com a vida de todos que eles não aprovam. Se esquematizaram em um verdadeiro exército, possuem concessões de canais de TV, rádio, imprensa, TUDO! E ainda acusam os gays de estarem instaurando uma ditadura gay! Foram eleito através da massa de ignorantes fiéis, roubam descaradamente, atrapalham avanços, querem a bíblia no lugar da constituição e ainda conseguem convencer a maioria da população de que não querem o poder, só a liberdade de expressão! É uma piada de mal gosto.

Ok, reclamamos muito, compartilhamos muitos cartazes nas redes sociais, divulgamos videos, esfregamos a verdade sobre esses canalhas na cara da sociedade, fomos às ruas, berramos, fizemos vigílias, invadimos sessões, fomos presos, fizemos de tudo, e… NADA! Nada acontece, ninguém cai, nada muda!!! O que mais podemos fazer? Estou confuso. Só sei que não podemos esquecer, não podemos pensar nos problemas que virão, temos que resolver essas questões antes de avançarmos para o próximo debate, a próxima injustiça. Dessa vez não pode acabar em pizza, NÃO PODE MESMO! Não desistam, não parem de compartilhar sobre esses temas mencionados acima, pois é isso que os desgraçados, ladrões e corruptos querem, nos vencer pelo cansaço. Mal sabem que dessa vez não vamos CANSAR, vamos MUDAR!

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