Esfregando na cara com classe.

Branco,
paz,
amor,
serenidade,
liberdade.

Essas são algumas palavras que me vêm a mente ao ver essa campanha publicitária. Nela temos a foto do anúncio de um fabricante de colchões de Paris. O que acham? Te choca? Se por acaso a reposta for sim: Pede pra mijar e sai do meu blog. Aqui não tem espaço para a hipocrisia. Essa campanha corajosa vinda de uma empresa forte e conceituada, estampada na porta do metrô, é o que faz a diferença em um mundo que se esforça para entender e conviver com a diversidade étnica, política, religiosa e sexual. Canso de falar que as crianças gays precisam de “role models”,ou seja, de retratos, símbolos e imagens, nas quais elas possam se projetar e de alguma forma se verem como algo mais que uma aberração caricata. Sacanear gays é um padrão para programas de sátiras como o “Zorra Total”. Aliás, eita programinha ruim!!!! Mas, não vou perder meu tempo comentando suas piadas preconceituosas e degradantes. As pessoas, em geral, se sentem muito bem ridicularizando outras. Isso de alguma forma as eleva. O que é um absurdo. Xingam de gay como se isso fosse os tornar mais heteros. Parece que existe uma satisfação em apontar gays na rua, entre o seu convívio, na família e na escola. Todos apontam e de alguma forma tentam decifrar códigos que os denunciam. Existe uma necessidade absurda de se ter certeza se fulano é gay, a dúvida é inaceitável, todos precisam ter certeza. Arrancar uma confissão. Qual o prazer nisso? Não faço idéia. A curiosidade da vida sexual dos outros se torna mais importante que suas próprias escolhas. É mais importante saber se o outro é gay do que explorar suas próprias tendências. Para mim é uma fuga do seu próprio desejo. Quem muito se preocupa se eu sou gay, não tenho dúvidas… Mas, não sou radical, sei rir “comigo” e não “de mim”. Não sou contra o humor gay, contanto que para se ter uma risada não seja sacrificado todo o processo de auto-estima alcançado, conquistado e lutado por um gay. Não existe censura no Brasil para as piadas, e não deveria existir, pois sou contra qualquer tipo de coerção dirigida à liberdade de expressão. Mas, deveria ao menos existir um senso comum, no qual não se poderia mais, em pleno século vinte e um, mostrar cenas nas quais heteros têm que se defender de uma possível acusação homossexual. Não deveria ser ofensivo ser gay. E não é. Não entendo esse pavor dos heteros de serem confundidos com gays. Isso é triste. Mas, compreensível. Isso acontece porque os gays “exemplos” não saem do armário. Gays famosos adoram se “passar” por heteros. Pra que? Por que? Se nós mesmos (não me incluo nisso) não queremos “aparentar” gay, qual a mensagem que enviamos? Obviamente, a de que ser gay não é legal nem digno. É cliché ter orgulho. Mas, e daí? Sou cliché então.

Não sei se Ronaldinho é gay ou não, mas, e se for? Por isso não pode ser um ídolo do futebol? Ah!!! Putz! É tão pior o Ronaldinho ter saído com travestis do que putas? Todos esquecem que o problema foi a traição feita à sua namorada. Mas, querem apontar! Todos querem crucificá-lo por, talvez, ter tesão em travestis. Qual o problema se ele gosta de traveco (será que chamar assim é ofensivo?), gay ou mulher? E tem mais: por que ele se defende tanto atrás do fato de não saber que eram travestis? O dia que a sociedade não enxergar mais essas diferenças será o dia em que me darei por satisfeito. Até lá, vou protestar MUITO. Sou cliché… lembra?

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One Response to Esfregando na cara com classe.

  1. Carrie says:

    Mas o "homem" tem muito mais facilidade de ver o que ele acha de errado do outro do que ver em si o que poderia ser melhor. . .Porque é muito mais incomodo ter que mudar a si mesmo para ser melhor, do que taxar o outro e ridiculariza-lo, mas nao e so no trato com gays nao, mas com tudo q nao se encaixa no nosso quadro perfeito de sociedade. . . Esse mundo precisa e de mais gente com capacidade de refletir sobre as proprias "escolhas" e ideais se nao esse budega nunca vai pra frente

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