Cinema é minha língua.

Cena de “Tunel Russo”, filme de Maucouti

Acabo de assistir “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”. Um filme da década de oitenta que por algum motivo passou desapercebido por mim na época. Uma pena. Embora acredite que não o teria compreendido tão bem quanto hoje, pois já assistí “Laranja Mecânica” mil vezes, os filmes de Almodovar também e os imperdíveis, beirando a pornografia, filmes de Bruce La Bruce. “The Cook” recebeu alguns prêmios na época, incluindo o de melhor fotografia em um festival na Espanha. Realmente fiquei de boca aberta com a luz. Muita cor, contraste e clareza onde propositalmente brincavam o verde e o vermelho numa dança de “moods” que mais se parecia com um outro personagem da trama do que uma mera expressão técnica. Tudo tinha um traço mais forte, as atuações eram sempre sublinhadas e exageradas beirando o “canastra”. Eu disse beirando… pois estava no ponto certo. Imaginem o figurino de Jean Paul Gaultier! Não caberia uma atuação contida. Entenderam agora? Infelizmente, o diretor Peter Greenaway era um desconhecido pra mim. Li as críticas da época e em uma delas havia a menção de que o espectador desavisado e comum iria sair correndo em direção à saída do cinema. O que pra mim é um elogio. Já dizia Oscar Wilde: “O dia que um artista agradar a todos ele tem que rever sua arte pois deve ter algo errado com ela”. Penso exatamente como ele e não tenho a menor intenção de agradar a todos com meu novo curta-metragem “Tunel Russo”. Busco nele a mesma linguagem que Peter nos traz em “The Cook…” Uma beleza estética descompromissada com a realidade. Não pretendo fazer algo televisivo, prefiro a estranheza das artes incompreendidas pelas massas.

Em “Tunel Russo” poderia ter seguido a linha do realismo, pois a história é algo muito real no dia a dia de um homossexual. Trata-se principalmente de uma denúncia ao abuso das autoridades em lidar com temas delicados como a expressão de afeto em público por casais gays. O filme relata a “dura” sofrida por dois namorados que se beijavam em público. A partir dessa situação, tão real a todos nós (gays), procuro mostrar as consequências de uma repressão preconceituosa onde seres humanos se julgam capazes de coibir outros em nome da moral e dos bons costumes. Realidade? É claro que sim. Mas, por que usar a arte do cinema para meramente retratar com fidelidade total (supondo que uma “representação” do real possa ser considerada verdade) algo que não passa de uma imitação do fato em si?

Ter o compromisso no cinema de ser fiel ao real é algo que no momento não me interessa. É limitante demais, cinema é sonho, imaginação, idéia e pensamentos que se concretizam numa realidade falsa, tendenciosa, que impreterivelmente favorecerá a visão do diretor. Não enfraquece a obra o fato dela ser lúdica, aliás a engrandece, a torna pluralista. É nessa linha que pretendo entregar a todos “Tunel Russo”. Não sou Kubrik nem Greenaway mas vou fazer o máximo para ter uma assinatura artística única e reconhecível. Separem a pipoca pois estão todos convidados para entrarem na minha viagem chamada “Tunel Russo”.

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6 Responses to Cinema é minha língua.

  1. Mateus says:

    Estou ansioso pra ver o filme… é muito bom saber, que existe o prazer de fazer arte… e é muito bom ver que esta fazendo arte de uma forma, que ao mesmo tempo que emociona, diz as verdades doa a quem doer… parabéns…

  2. medeiros_cristiano says:

    medeiros_cristiano@hotmail.com diz:cara, ainda não conhecia teu blogmedeiros_cristiano@hotmail.com diz:bacana

  3. MR www.quemsouessa.z says:

    bacana seu blog…até!

  4. leka says:

    e eu sentarei na primeira filaa =)

  5. Mauro says:

    Olá, Mau!Adorei o seu blog! Vi o trailer do filme no Youtube. Quero assisti-lo quando for possível!Abraços

  6. Muito bom o filme. Adorei. Parabens.

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