Sem lugar no mundo


Quanto mais luto para me livrar das amarras invisíveis do preconceito, mais me deparo com a ignorância, falta de humanismo e intolerância social. Às vezes quero dormir, me anular, me misturar ao mundo ou talvez simplesmente viver mediocremente. Cansa levar porrada e ter que se convencer todos os dias que o mundo é que está errado. Pelo menos o “mundo” brasileiro.

Fui fazer uma boa ação, apanhei, sofri ameaças e por fim um tiro disparado pro alto me fez enxergar o quanto pode ser perigoso ser gay no Brasil. Moro com meu namorado a mais ou menos um ano. Um relacionamento aos padrões “heteros“. TV, cineminha, idas à casa da sogra, e por aí vai. Chegando em casa depois de um banho relaxante na cachoeira avistei umas mocinhas no condomínio e, como sou fotógrafo, as convidei para fazer um book. Elas não poderiam ter ficado mais felizes! Pulavam, falavam sem parar e me pediram para levar as mães pois eram menores. Claro que autorizei! Enfim, no meio da sessão somos interrompidos por berros do lado de fora:

-Isso vai acabar agora!

Vou até a porta, abro e levo um soco na cara! Para em seguida o sujeito puxar uma arma e me ameaçar de morte. Nem sequer fui questionado ao que estava acontecendo. Corri pra dentro e o cara veio atrás atirando para o alto e me ameaçando de morte. Fiquei pasmo, pois uma mãe e um pai estiveram lá em casa antes da sessão de fotos e nem sequer questionaram meu trabalho. Fico me perguntando se isso teria acontecido caso fossemos um casal hetero. Será que pelo fato de sermos gays já não somos automaticamente associados à promiscuidade e pornografia. Eu estava dando um book para essas meninas só para meu parceiro praticar maquiagem, que é seu novo hobbie.

Esses pais estão tão apavorados com o dia a dia na cidade grande que nem questionam mais uma boa intenção. Meus books são feitos por pessoas de todas as idades e é facilmente acessível para serem visualizados pela internet no meu site oficial de fotógrafo. Não da para entender uma agressão desse porte sem ao menos questionar o mais básico dos princípios do ser pensante: o questionamento! Não passou pela cabeça desse pai que eu poderia ser honesto? Esse pré-julgamento ao gay cansa!

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One Response to Sem lugar no mundo

  1. Ana Martins says:

    Mundo insano, mísero e burro.

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