Faixa da Farme, território em guerra.

Sábado de carnaval. Esperei o ano inteiro para de novo me fantasiar de policial gay e ir à Banda de Ipanema. Fomos eu e meu namorado. A dupla que ano passado foi um sucesso, dando entrevista até para a TV Holandesa. Nos maquiamos, brincamos com as pessoas no caminho. Alguns entendiam, outros fechavam a cara. Os que optavam por uma postura mais “casca grossa”, obviamente, não conseguiam esconder seu preconceito e perdiam a chance de dar umas boas risadas.

O que interessa dessa história acorreu depois da banda. Nós dois indo em direção à lagoa pela Farme de Amoedo ( considerada a rua gay de ipanema ), tivemos uma pequena cena de ciúmes e estavamos conversando ele encostado na grade de um prédio, eu de frente, quando escuto:

– É viado é? Quer apanhar?

Quando me viro dou de cara com uns 5 ou 6 pitboyzinhos sem camisa. Respondo: – Não cara, não queremos confusão. Puxo o meu namorado e sigo em direção à concentração gay em frente ao bar Bofetada. Do nada sinto um soco na nuca, alguns chutes e começo a correr. Eles correm atrás, me alcançam e eu paro, resolvo encarar. Rola uma troca de socos e meu parceiro também se mete dizendo que ninguém vai me bater. Um dels consegue me derrubar no chão e fica gritando para os outros:

– Caiu, vêm!

Isso para me juntarem ( é isso que é ser macho? ) Eu levanto e falo:

-Caí , mas já me levantei

Trocamos alguns socos e quando vejo que vários outros idiotas estão chegando pra me bater, não tenho escolha e saio correndo de novo. Noto que perdí minha peruca, penso em voltar lá. mas um taxi passa e me diz, sem eu perguntar, que têm uma galera lá querendo me bater e que é pra eu não voltar. Vou embora com hematomas e um inchaço no joelho que não me deixa andar.

Para o motorista de taxi ter percebido, vocês imaginam o estardalhaço que estavam fazendo! ONDE ESTAVA A POLÍCIA??? O Rio não foi eleito o melhor destino gay no carnaval? Sei… Só se você for um gay masoquista que gosta de apanhar. Todo ano os gays são surrados nesse território de conflito que se tornou a Farme. Parece mais a faixa de Gaza onde gays e héteros lutam como Palestinos e Israelenses. Agora, pra mim, vou adotar a tolerância zero. Piadinha de gay e homofobia velada quero bem longe de mim.

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4 Responses to Faixa da Farme, território em guerra.

  1. Thaís Vaz says:

    Amigo, eles batem até em mulher. Até existem os brincalhões, mas nunca vai deixar de existir os babacas pra acabar com o nosso carnaval. O que temos que fazer é tentar ficar longe e tentar curtir. Só podemos tentar infelizmente. Estamos à mercê

  2. papaigay says:

    Ficar longe??? Na Farme??? Vou me meter num buraco então e nunca mais sair!

  3. Ana Martins says:

    Nem faça isso! Mostre toda a dignidade que sei que vc tem.Foi linda sua atitude de enfrentá-los. Foi até onde pode. Muito justo.Lamento o ocorrido, mas me regozijo quando encontro pessoas assim como vc, que não se deixam calar, que vivem o que são com simplicidade e na sua totalidade de SER.Alguém que faz a diferença.Bjo no core.Ana

  4. Anonymous says:

    Ana Martins de amo! É isso ai, não ficar longe, não ter medo! Mas com cuidado…

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