Dando uma de paizão.

Estou num momento muito difícil e resolvi pedir um help aqui aos meus leitores. Não sou muito de pedir conselhos, geralmente sigo meus instintos em relação a como criar um filho adolescente sendo um “papai gay”. Não tenho muitos exemplos desse tipo de situação e jamais vi isso retratado em filmes, quer dizer, já sim mas não conta, afinal era em “Gaiola das Loucas”. Como ia dizendo, criar um filho heterossexual sendo gay tem suas vantagens e desvantagens. A questão maior nem tem a ver com preferência sexual e sim com a hora de libertá-lo para cometer seus próprios erros imprescindíveis à sua idade, agora 18.

Estava eu voltando de um batidão funk (primeiro da vida: adorei) lá pelas tantas da manhã quando o telefone toca. Atendo sem reconhecer no bina e, para minha surpresa, é minha ex-mulher falando que meu filho estava sendo carregado para casa bêbado que nem um gambá. Eu não estava que nem um gambá, mas também seria hipocrisia minha dizer que estava sóbrio. Agora vocês me digam. Como posso eu ligar pro meu filho reclamando de sua bebedeira bêbado? Minha primeira reação foi a de preocupação, instintivamente fui paizão e queria trancafiar ele para nunca mais deixá-lo sair de noite. Opção inválida, claro! Minha ex queria que eu ligasse para ele e desse uma tremenda dura nele, fosse pai, no sentido que ela acha que deve ser um pai. Isso foi na madrugada de sexta, estamos na madrugada de sábado e eu não senti necessidade de me manifestar com ele ainda. Aconselhei a ela que não desse tanta ênfase à bebida, pois o problema nessa idade geralmente é outro. Não creio que meu filho esteja se tornando um alcoólatra, embora isso me preocupe. Lembro de mim na idade dele e imagens pipocam na minha mente. Uma delas estou em coma alcoólica tomando glicose. Nem por isso me tornei um alcoólatra.

Minha pergunta é a seguinte caros leitores: Até que ponto as mães tendem a dramatizar as situações vividas pelos filhos? Será que sou um gay machista que acha que por meu  filho ser homem ele tem mais é que fazer essas coisas? Será que estou sendo complacente demais por ser gay e me esforçar mais para que meu filho me ame? Desculpa, mas só ai já são 3 perguntas, né? Conclui-se que estou meio perdido como a maioria dos pais. Isso prova que, na verdade, eu sendo gay ou hetero, acima de tudo sou pai. Um pai preocupado com o seu filho. É essa semelhança com os pais “normais” que deveria contar para que o espanto de eu ser gay e ter um filho acabasse. Sei que cedo ou tarde terei essa conversa com o meu filho, só me resta saber se “mais” cedo ou “mais” tarde.

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11 Responses to Dando uma de paizão.

  1. lonely vampire says:

    Humm, estou longe de ser pai, e de entender como funciona a mente "doentia" de um rsrs… O que sei é que já tive 18 anos, e como todos também tive minhas bebedeiras homéricas que também acabaram em vezes na cama de um hospital, não tenho problema com bebida, inclusive bebo raramente, e as vezes muito, mas muito raro, o fato de eu beber também não era causa de outro problema, a bebida existe, os amigos também, ela ajuda a socializar, é divertido beber, é uma droga licita, então por que não usar as vezes pra se divertir? Conheço o Brian, duvido que ele tenha algum problema, posso estar enganado? posso… então siga sua mente de pai, e repreenda se achar necessário,sem medo de estar sendo chato, por já é, apenas por existir e ser o pai, e aposto que você é o cara chato que ele mais gosta, e entende quando o repreende… O que tiver de ser vai ser, ele tem 18 anos e esta dotado de poderes que incomodam… Vontade pórpria… e alvará pra fazer o que der na telha… Te amo…

  2. Edu says:

    Puxa… nem sei o que dizer. Depende muito de como é o filho, sua personalidade, seu caráter… Outras vezes em que precisou dar bronca, ele entendeu com conversa ou com chinelo? Talvez daí você tome uma base. Mas sou sempre à favor do diálogo franco primeiro, e de alguma punição para que fique marcado e ele entenda que você não está falando por falar. Muitos adolescentes hoje cometem barbaridades porque os pais têm medo de dizer não, de impor limites (se ele disser que você faz igual, lembre que você é adulto). É isso…

  3. Wans says:

    É difícil responder a essa pergunta não estando na sua pele. Sinceramente eu acho exagero pegar no pé dele por causa desa bebedeira. Eu já cheguei carregado na minha adolescência e nme por isso virei alcólatra. Até hoje bebo e nem por isso sou afetado profissionalmente e pessoalmente. Acho que vc não tem que pegar no pé dele por isso, mas converse e diga que vc já passou pelo mesmo e sabe como é. Não deixe de ser seu amigo. Isso é importantíssimo. Acho que vc tá se saindo super bem.

  4. CP says:

    Nunca diga isso, cara. Que o teu filho tem o direito de beber todas até a última gota só pq é homem.Você não faz idéia de como é triste conviver com um alcoólatra.Que ele se divirta um pouquinho, vá lá. Saudável. Agora, perder o controle? Nunca.

  5. Edu says:

    Vim conferir os conselhos dos demais… :-) Mas acho que você consegue se sair bem.Ah, e você ser "Mau" foi só mais um dos sinais de que eu acabaria gostando muito de te conhecer. E não é que eu estava certo? :-)

  6. Vaca Jersey says:

    Hummmmm… muito interessante essas questões propostas! E mais interessante é esse teu caso – de ser pai. Vou precisar refletir um pouco e ler mais de ti antes de dizer qualquer coisa. Adorei tua visita e te espero mais vezes na Vaca! Hugz, man!

  7. EFS*** says:

    nOSSA… Parabéns, estou super emocionado com sua história…

  8. Vaca Jersey says:

    BINGO!!! Pensei… li posts antigos teus e cheguei num esboço de "tese-opinião"… hehe! O blog tem mail? Hugz, guri!

  9. Leco Vilela says:

    Mãe é super protetora, alem do mais a entrada do alcool na vida do filho, o primeiro porre do qual a mãe toma conhecimento é sinal de que o filho tá crescendo… são sinais que indicam que logo mais ele tomará seu rumo, que já se torna adulto. Tanto que a atitude primaria dele é pedir pra vc castiga-lo como fazia quando era criança.Enfim não me cabe analisar em nada, nem tenho diploma pra isso, mas espero que ajude nas resposta que procura!ps: pois é pegação via bluetooh, tem comunidades no orkut sobre o assunto, da uma sondada.parabens pelo blog e pela coragem de expor suas experiências!

  10. Mulher Asterí says:

    Vim aqui por recomendação da vaca e eis quem eu encontro aqui…a galera toda! Bem já estou aqui e palpitando…Sou mãe. Ela está impotente e por isso te chamou. Um chamado ao pai. Mas veja, beber na juventude é normal sim, porque ele está testando os limites dele. Mas quando um jovem testa um limite ele quer ver onde o limite está. Então você vai precisar conversar com ele. E mesmo… quem sabe ele não está justamente chamando atenção para que você chegue junto? Ou mesmo imitando o pai que ele deve saber que bebe nas noitadas? Você se sente hipocrita de colocar um limite para ele se você mesmo gosta de extrapolar os limites? É dificil mesmo, amigo.Mas você precisa conversar com ele sobre isso,mesmo que você ainda não saiba o que dizer, converse com ele e escute, com certeza ele tem muito pra te dizer. Ouça. E se mesmo assim, você não souber o que dizer, assuma que você está confuso e que quer pensar neste assunto melhor, mas com a ajuda dele.Boa sorte!!!

  11. Paulo Braccini says:

    Questão difícil para quem não é pai … tenho sobrinhos adolescentes e muitas vezes me vejo questionando as posturas de meus irmãos na criação deles … hora eu "cobro" uma posição mais enérgica da parte deles, hora "cobro" uma posição mais amena. Sou gay e casado com outro cara [claro] há 35 anos. Ele também tem sobrinhos e, sempre estamos conversando sobre o tema … eu falando dos meus irmãos e seus pequerruchos e ele falando dos dele. Conclusão que sempre chegamos [para nossa conversa … nunca levada aos manos respectivos, pois entendemos que estas questões são deles e só deles]: Nada pode substituir a verdade; nada é melhor que o diálogo e o respeito; aprender a ter limites é fundamental; uma palavra ou uma atitude mais dura de quando em vez pode ser necessária; exemplos e testemunhos de caráter e dignidade podem valer mais que todas as palavras; carinho e afetividade ajudam a conquistar o respeito. Enfim, se ajuda não sei, mas isto é o que eu penso sobre como criar filhos e tentaria este caminho se os tivesse … quem sabe eu e o DD ainda venhamos ter né? vai saber! rs …bjux;-)

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