Tormenta mental.

Às vezes me vejo encurralado, preso, tolido e muito, muito sozinho. De repente me dou conta que é nessa hora que consigo realmente enxergar o mundo e toda sua crueza de sentido. Ou melhor, da falta disso. O que importa? O que me move? E principalmente o mais difícil: o que quero?

Se fizer um marco na humanidade, será que me satisfaço? E se não faço, quem se importa? Digamos que, com arte, me expresse, toque, mude a vida de alguém. Me trará uma satisfação passageira, como um Big Bob’s, um filme bom, uma boa foda, e daí? Passa… Mudo, me dedico a outra coisa, corro atrás, junto pessoas, vivo, e depois? Tudo de novo. Então, pra que? Só pra ter o que fazer? Não morrer de tédio? Eu te pergunto: Faz sentido essa busca insesante por cada desejo imaginável? Mas também… Fazer o que se não isto? Seguimos os padrões de nossos antepassados, incrementamos com um toque “high tech” qualquer e continuamos em frente. Em frente em um mundo onde nem mesmo o tempo é concreto. Alguns dizem que nem ao menos existe, que é uma invenção dos homens. Só não me peçam para explicar essa afirmação, pois pra mim não faz o menor sentido. Enxergo apenas em termos de passado, presente e futuro. E não me venham com essa tal de dimensão paralela, onde seres estão cohabitando nosso planeta, que eu piro.

Percebe-se que hoje não estou mentalmente confiável, né? Adoro essa masturbação mental. Me atormenta, mas me prova que estou vivo. Sim, pois como o tempo, às vezes acho que nem ao menos existo. Pior. Que tudo não existe, que a própria existência NÃO existe e que essas palavras também não. Ajudaria se me respondessem esse post. Uma coisa do tipo: Leio, logo existo.

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5 Responses to Tormenta mental.

  1. Navegar É Pre says:

    Não sei te falar sobre o sentido da vida ou do mundo. Eu acho que a chave é simplesmente viver (ou viver simplesmente). Não creio em nada em termos metafísicos. Tenho pra mim que não estamos aqui pra grandes feitos ou para viver um estado de completa felicidade. E viver assim é muito divertido. Tenha uma excelente semana. Abs

  2. FOXX says:

    texto inquietador…

  3. Papai Gay says:

    Papai Urso do Interior deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Tormenta mental.":Gabriel O Pensador já disse em música de mesmo nome (‘Masturbação Mental’): ‘Masturbação mental/ Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal/ Masturbação mental/ Se isso é normal, eu quero ser anormal’… Essa sensação se apodera de 9 entre 10 pessoas conscientes no mundo pós-bomba atômica, pós-internet e pós-Lula Presidente e é mais comum do que você imagina… Portanto, papo de psicoterapeuta à parte, canta prá subir esse ânimo! Aí vai historinha básica porém nem tão curta (sou prolixo, fazer o quê?) … Você já deve conhecer e tudo mais, mas o que vale é a intenção deste ursão… Entre comigo na seguinte divagação: Cary Grant foi astro-galã de Hollywood por quatro décadas consecutivas: 20, 30, 40 e 50 do século XX que, até um dia desses (dez anos atrás), era o século em que vivíamos todos nós. Pois bem, Cary Grant brilhou muito, era lindo, estupendo em cena, sexy e, na surdina, continuava a ser o que toda sociedade hipócrita da época abominava: gay (calma aí não é mais um texto temático ou gay-friendly). Mas ele não se vitimizava por isso, sua cama tinha variedade, com direito a muitos namorados e toda pompa e circunstância daquele povo doido de Hollywood. Veio a década de 1960, Cary já sessentão, crise com o espelho, sentimento de inadequação, Hollywood já não lhe dava papéis que não fossem o tiozinho ou o vovô-conservado… essas coisas que baixavam a guarda de qualquer movie star da época… Cary Grant teve um único e verdadeiro amor, o também ator Randolph Scott. Àquela altura, mesmo sem o pique de anos de esbórnia, ele ainda tinha tudo que quisesse, mas agora o que queria era o avesso de tudo aquilo, não queria mais ter de passar por encontros furtivos, agüentar gente frívola e suas conversas fúteis para poder conseguir uma boa transa no fim da noite, queria mesmo era parceria, cumplicidade, alguém da sua idade que entendesse o que ele falava e sentia, mas aí era tarde demais para partilhar seu amor, amor que naquela época ‘não ousava dizer seu nome’, muito menos tinha o direito de abrir para o mundo a única e verdadeira história de amor que tinha vivido até ali, justamente ao lado de seu companheiro e por que? Porque o mundo não estava preparado para entendê-lo. Ironia do destino: Cary Grant adoraria viver com as liberdades que dispomos hoje, mas nós daqui a 50 anos não passaremos de um nome numa lápide fria e Cary Grant ainda existirá através de seus filmes em DVD, Blu-Ray e o que mais os japoneses inventarem… Tudo é relativo, celebridades do passado sofreram pelo que hoje temos com alguma facilidade e nós sempre sofreremos com esse sentimento de que passaremos pela vida em vão sem sermos vistos, lidos, prestigiados, escutados pelo outro que pode estar bem ali, do outro lado da rua, mas aí vem a inevitável pergunta, como saberemos quando, onde e quem? Resposta pronta, acabada e definitiva: não sabemos, a menos que abramos uma fenda no nosso individualismo… Se lhe serve de alívio: também passarei, todos passarão. Quando o último dos meus hoje pequeninos se forem deste planeta ninguém mais saberá quem fui, as coisas pelas quais lutei e as batalhas internas que travei em meu coração. Se apegue à idéia de que se alguém passa por aqui e te diz ‘olá’, então não é em vão que você escreve, caríssimo e já querido Mau Couti… Abraços Virtuais e Emanações Positivas para o seu Coração.

  4. Papai Gay says:

    Papai Urso do Interior postei seu comentario pq ele era muito grande… rsMas é muito bom, parabéns pelo texto.

  5. Tolerância Zer says:

    Rsrs… Lendo e entendendo tudo rsrs…Me lembrou um pouco algo que escrevi a algumas semanas atras:LabutaEscaldante suor escorrendo sobre a pele clara, macia, cheiro ideal para o berço de sonhos que ainda nem começaram a aparecer, suco sujo, gosto azedo, taco na mão, bola na caçapa, goool… pé torto, na trave se fez o excluído, o menor, frágil, amado, cuidado por todos que se vão, que ficam e não mais se vê..O garoto cresce, se engana, se fortalece, cai, de novo mais forte corre atrás, alcança, esbanja, põe tudo a perder, sofre, enlouquece, embaraçado sobre o travesseiro afunda… viaja… quer ver quem foi, o que foi.O que foi? Não quero, sou, vivo, morro, volto, enlouqueço com a idéia maluca de existir, de ter que existir, de querer existir. O que eu quero, o que vou ser, quando, onde, por que. Pra que querer saber? Por que querer fazer? Querer existir pra depois de tudo um sopro de tempo, uma brisa talvez, um vendaval levar tudo?Mateus Madeira 08/06/10Sayapo Maumau!!!

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