Muda comigo?

 

Ares novos. Espaço novo. Novos arranjos de letras que formam as palavras de sempre. O mesmo teclado, no mesmo computador com o mesmo usuário não são o suficiente para me frear. Com os mesmos instrumentos faço o novo. Que chegue o inédito, a estreia, o imprevisto. Existem dias em que o novo recusa me visitar. Mas eu o persigo, eu o cutuco, eu o desafio. Estamos meio brigados, ele cisma de me testar com os mesmos padrões já vividos e que me trazem algum conforto. É tão mais fácil se acomodar.

Concretamente, o que farei de novo? Bate aquela sensação de estar escrevendo, desejando, almejando mesmo, algo que não farei. Existem os que escrevem o que gostariam de ser e os, que espero ser o meu caso, escrevem em uma tentativa de elucidar seus próprios caminhos. Aos 45 anos, ainda tenho muito o que mudar. Já me formei em Economia, Teatro, Fotografia e quero mais. Quero ter a sensação de que não desperdicei minha vida. Que não me privei das oportunidades, que não dei ouvido às críticas, que vivi o que quis e que ainda viverei muitas outras aventuras. Como um homem gay de “meia-idade” que sou, penso que já posso falar de certos assuntos com alguma propriedade. Posso falar, por exemplo, que quero ainda viver minha homossexualidade plenamente. Mas o que é isso? Nem eu sei. Só sei que ainda não estou pleno, completo e inteiramente feliz com a forma que a sociedade lida com a questão gay. Posso mudar isso? Também não faço ideia, mas eu tento. Tento aqui, com vocês, com esse mesmo teclado, essas mesmas letras e esse mesmo usuário, que toma muita porrada da vida, mas que sempre a questiona e, por fim, espera sinceramente não olhar para trás e pensar que não viveu “his way”.

Tomei a decisão que esse blog trará muito mais questões existenciais do que qualquer outra coisa. O foco é no ser humano e nossa habilidade de transformar uma situação adversa, como a de viver sendo gay, em algo transponível, mutável e encorajador. O tom pessimista vai ser definitivamente banido daqui. Quero viver a montanha russa de emoções que a vida pode nos dar. Termino então com um ar de “vai dar tudo certo”. Eu, você e todos os LGBTs do planeta, vamos ser plenos um dia, e que essa plenitude venha através da nossa habilidade de sermos sensíveis, inteligentes, sensuais e muito “alto-astral”, não é à toa que somos gays.

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5 Responses to Muda comigo?

  1. Sempre passo por aqui pois gosto muito de seu posicionamento, nem sempre comento, acho mesmo que só o fiz duas vezes! Sim, mudo com você.

    bjs

    Jussara

  2. Papai Urso do Interi says:

    Me sinto pleno assim qd leio vc e outros blogayros, não importando se na pressa do meu horário de almoço ou na calma relativa de meus dias mais desacelerados… Tb sonho c/ essa plenitude que só vai vingar qd tivermos uma rede de proteção (a lei) que nos proteja durante uma queda provocada por estúpidos (representantes diretos da homofobia). Quero partilhar c/ vc que é 'pé atrás' com o divino e o celestial que comigo sempre ocorre (e aqui sim chamo isso de intervenção divina) de estar sorumbático e triste até coisas gay-friendly chegarem até mim p/ me botarem p/ cima sem que eu faça grande esforço p/ isso, o último caso foi sábado qd meio desmotivado e triste pelo velório de um amigo gay e por conta de ter passado uma semana infernal c/ meu pimpolho doente e as horas cronometradas (sempre correndo do trabalho p/ consultório médico + farmácia + casa da ex, onde ele está agora e vice-versa), pois bem pela correria simplesmente não assisti TV nessa semana que passou e só no sábado tive tempo de ligar o aparelho que (miraculosamente, só pode!) estava num canal incomum, a TV Câmara (mantida pelos caras de Brasília) e que exatamente naquele momento iniciava um programa 'especial' que debateria (tchanran!! que ruflem os tambores) Direito Homoafetivo (lindo esse termo, não?! Eu não conhecia, só sabia de homocidadania) com a desembargadora aposentada do Rio Grande do Sul e agora especialista em (de novo aquele termo lindo) Direito Homoafetivo, Dra. Maria Berenice Dias e a Senadora Marta Suplicy, elas asseguraram que é questão irreversível p/ o Brasil a criminalização da homofobia e aprovação de união estável para pessoas do mesmo sexo, uma vez que o mundo exigirá isso de nossa nação como forma de firmar-se como país moderno e digno, sem falar que o programa todo transcorreu naquele clima de perguntas inteligentes feitas por internautas glbt e pessoas na rua, porém sem traços preconceituosos, lá além de esclarecimento de dúvidas o que ficou claro é que a questão agora é de dias, e não mais anos para que isso tudo seja real, programa acabado, desliguei a TV c/um sorriso nos lábios e uma alegria renovada no coração, isso é bobo p/alguns, mas há dias que só precisamos de um sinal favorável que seja para renovar forças e seguir adiante, vejo Deus em manifestações como esta e não em púlpitos com com pastores inflamados de fúria e berrando como se Deus fosse surdo. Ridículos todos os cristãos xiitas, chiques no último todos nós, cultos, inteligentes, bem-informados… World will be gay someday!

  3. Cara Comum says:

    Aê!!! Agora sim gostei da atitude: enfrentando essas coisas chatas da vida com confiança de que vai dar certo!!! Se a gente não fizer isso, meu amigo, a gente pira!!! E eu topo mudar contigo. Vão bora!!!!

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