Contra a maré.

 

O mar está revolto. A luz do farol lá no fundo já não nos alcança mais.
Vem de uma ilha longínqua que mais parece um umbigo terráqueo de menino pobre,
que contraiu lumbriga e comeu muita farinha, do que um destino onde se encontra o pote de ouro.

Chegar lá talvez acabe com as lumbrigas,
talvez alimente essa terra tão faminta de dignidade e compreensão,
mas o que todos queremos é a loteria, a sorte, a possibilidade de enriquecer o mundo através da tolerância e respeito.

Nosso barquinho pode ser a remo,
pode ter sido construído com troncos apodrecidos retirados do rabo dos intolerantes e de cordas podres usadas para enforcar africanos gays,
mas ele flutua nessa lama defecada da hipocrisia humana, e não perde o rumo.

É pra lá que eu vou. Para aquela terra que hei de modificar.
Aquele umbigo sujo e maltratado vai finalmente ser limpo e tratado.
Plantaremos três mudas de discursos, que na primavera, brotarão palavras ao vento sudoeste rumo às areias do litoral de todo planeta.

Seus verbos terão a força acumalada do transformar. Invadirão como adagas as mentes homofóbicas secando suas amarradas tradições seculares que, logo após, serão evacuadas por diarréias tsunâmicas afogando cada ato de crueldade. Festejaremos, sozinhos, mas unidos em uma consciência colorida mundialmente capaz de novamente trasformar, em um lindo arco-iris, a bosta espalhada.

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3 Responses to Contra a maré.

  1. Foxx says:

    desculpe, mas não é lOmbrigas? ou foi de propósito?

  2. Cara Comum says:

    Caralho!! Muito bom esse seu texto!! Deus até uma animada aqui… Vamos a luta!!!! hehe

    Abraços!!

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