Quanto não vale a minha vida?

Dar valor à vida humana é algo que todos já paramos para pensar alguma vez na vida. A vida de uma celebridade, de um rei, de um mendigo, de um político, de um zé ninguém, de um milionário, todas parecem ter seu valor, mas, tristemente, umas mais que outras. O câncer do Gianeccini, por exemplo, é ambicionado por toda a classe médica, enquanto na fila do SUS existem milhares de (des)casos semelhantes onde os médicos fogem, igual o diabo da cruz, para não tratarem os pacientes. Simplesmente, umas vidas valem mais que outras. Fato.

Então, eu me pergunto: Quanto vale a minha vida? Valerá o esforço de me tratarem caso eu adoeça? Ou, terei que pagar os olhos da cara para que isso aconteça? Terei que me virar, com certeza, pois não sou nenhuma celebridade. Apenas uma “sub-celebridade” da net (risos). Toco nesse assunto para chegar no ponto que desejo. A vida dos 3 mortos assassinados, 2 no dia 23 de agosto de 2011 e 1 no dia 25 de agosto, que foram tratados com tamanho descaso pela midia que é revoltante. O primeiro caso é o do Analista de Sistemas e o modelo mineiro, mortos em São Paulo esfaqueados por um homofóbico que se dizia disfarçado e infiltrado no mundo gay. O segundo, um cabeleireiro em Alfenas, foi morto e mutilado tendo seu fígado arrancado e jogado aos cachorros, seu pênis também retirado e enfiado em sua própria boca! O assassino confesso ainda diz que: “Quer chupar um pau, chupa o seu!” Bom, HORRORIZANTE, tudo isso? Claro! Crimes covardes, absurdos, abomináveis, mas e daí? Ninguém se importou. Eu postei várias vezes no meu facebook pessoal sobre esses casos. Alguém comentou? Pouquíssimos. Dediquei uma matéria exclusiva, aqui no meu blog. Adiantou? Quase nada. NINGUÉM da midia principal, dos jornais, televisões, deram impostância ao CANIBAL HOMOFÓBICO. O primeiro caso,  foi na Oscar Freire, uma das ruas mais ricas de São Paulo, chegou a ser publicado na primeira página do UOL, em um cantinho, sem o devido destaque, mas foi. Se fosse um casal heterossexual morto na mesma avenida, seria primeira página, com certeza! Se isso não é homofobia, nada é! O caso do cabeleireiro então, é de dar raiva da midia. Nenhuma palavra! Só descobri sobre ele em um blog! E um video da EPTV, uma espécie de RJTV e mais nada. O cabeleireido foi ESQUARTEJADO E CANABALIZADO e ninguém quer saber? Não é crime hodiondo? Cadê a repercussão? Que conclusão podemos tirar disso?

As midias só podem estar acoadas pelo poder religioso instaurado nesse país. É vergonhoso o medo que as TVs e rádios têm de irem contra esse falso “culto” aos bons costumes. Todos estão se calando aos crimes homofóbicos, querem de qualquer forma amenizar os acontecimentos, fingindo que não existem e alienando ainda mais uma população 90 % católica, que acha que os homossexuais estão “exagerando” em suas reivindicaçãoes. Não querem nos ver como “privilegiados”, que aliás, nunca foi nossa intenção, e insistem em achar que não precisamos de leis alguma. Até aí, eu não concordo mas compreendo o pensamento, mas o que me irrita é a falta de apoio, a alienação, e, por quê não? A burrice dessa população. Será que é tão difícil enxergar que somos reféns desses “bons costumes”, que em nome dessa “moral” somos obrigados a viver em gay-cavernas, em uma “Gaytham City” paralela, sombira e secreta?

Levando isso tudo em consideração, só me resta saber o quanto vale a MINHA vida, mas pelo andar das coisas, deve ser muito pouco. É mais facil saber o quanto ela “não” vale: Ela não vale um espaço no jornal ou na TV, não vale comentários em algum remoto blog, nem uma manifestação para que anônimos, como eu, parem de morrer em vão. Ela não vale para acabar com a homofobia nem a intolerância religiosa, e também, não muda nada. Eu, como o cabeleireiro, o analista de sistemas e o modelo, não valemos nada. E você? Será que a perda da sua vida mudaria algo?

 

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21 Responses to Quanto não vale a minha vida?

  1. Até onde vamos chegar, com tanta crueldade? Fico muito triste quando vejo esses acontecimentos. Aqui no interior da Bahia os crimes homofóbicos vem crescendo a cada dia…mas, não existe visibilidade por parte da mídia.

  2. Para os fundamentalistas religiosos, só vale aquilo que eles consideram como ‘padrão’. Qualquer coisa que saia disso, eles não toleram – embora adorem posar de tolerantes. A mídia, por outro lado, não cumpre o seu papel institucional de promover a igualdade – prefere sublocar horários para igrejas e seus discursos odiosos ou então bater em gays e estimular a homofobia na novela das 21hs… Se conseguirmos fazer os meios de comunicação cumprirem o seu papel, teremos, pelo menos, mais casos denunciados e a cobrança por uma proteção seria muito maior. É um sonho. Mas a Argentina conseguiu realizá-lo. Espero que o Brasil, idem.

  3. FOXX says:

    compartilho da sua mesma revolta, meu caro, da mesma

  4. Cara Comum says:

    É fato de que nós não valemos nada aos olhos do vulgo. Quem vale mesmo são os felizardos selecionados do BBB e as pessoas “importantes” que têm espaço nos noticiários. O resto pode ir pra câmara de gás que não tem importância…

  5. O Guri says:

    Se lembra aquela vez que eu disse aqui que devia ter algo de errado comigo porque eu não senti ódio do Bolsonaro, só pena? Você disse que tinha.

    Pois bem, agora senti um pouco de vergonha por isso. Não sei bem o que pensar sobre isso. Quando li a notícia que o modelo havia sido assassinado, pensei na hora que era apenas um famoso envolvido com drogas e acabei não dando atenção por achar que ele não fosse uma pessoa importante ou até que fosse alguém de bem.

    Alguém infiltrado num mundo gay que não deveria existir parece algo psicótico e obsessivo, pior que um filme antigo de terror, tendo tanto trabalho apenas pra no fim matar uma pessoa e acabar indo pra cadeia, talvez ser estuprado lá dentro, e depois ser solto e matar mais alguém… não me entra na cabeça. Não consigo ver lógica nisso, mesmo sendo do jeito que sou com minha falta de lógica em tudo que escrevo.

    Agora, você conviver com uma pessoa, e numa bela noite você arrancar o fígado dela e torrar num torradeira elétrica coprada num loja como a Deltasul ou Benoit da vida, como fiz com a torrada que comi antes me parece… sei lá o que me parece. Já escrevi textos e contos exatamente como este que aconteceu então achei que não me estranharia com isso. Bah.

    Mas olha o preconceito que ainda temos… me senti envergonhad. Fiquei com vergonha até de escutar minha Lady Gaga agora. Ô vida!

    Só comemos o que gostamos. Por que diabos me mordam comeríamos algo que repudiamos?

    Essa manha sonhei com moças que vinha de famílias ricas e queriam se tornar Senadoras do Estado, mas que foram sacrificadas por seus país em uma fogueira pra Santo Antônio. O princípio é o mesmo, mas não sei porque te contei isso aqui.

    Vou repostar você lá no meu blog, se puder dá uma olhada. Acredito que vai valer a pena.

    http://umgurientregurias.blogspot.com/

  6. Mauro says:

    Olá, bom dia!
    Não nos conhecemos, mas fiquei preocupado (olha a prepotência – rsrs) e com vontade de compartilhar alguns pensamentos. Se achar bobagem e conselho barato, desconsidere, ok?
    Lendo suas últimas postagens, veio um gosto amargo. Estas notícias também me deixam triste e revoltado.
    Por outro lado, veio também a clareza de que é importante saber o que se passa, mas não manter o foco só nisso, pois senão, a graça de viver vai embora. Mergulhar nestas questões podem me fazer afundar, e esquecer de viver o lado bom da história.
    Então, é manter a indignação sem ser sufocado por ela.
    É mais ou menos aquela coisa em relação à cultura. Há uma série de opções excelentes e acessíveis de boa música, teatro, exposições, e a maior parte das pessoas aqui prefere “sertanejo universitário” e afins.
    É triste? É, mas podemos curtir as coisas boas que estão aí disponíveis, e quem não quer, que fique com os dois acordes.
    Em relação a uma proposta de uma vida afetiva e sexual que não faz parte da moral dominante, também acho que é a mesma coisa. Vivemos possibilidades inimagináveis há 30 anos, e por outro lado, a repressão proporcionada pelas pessoas que se sentem questionadas e estão assustadas com os sentimentos que esta liberdade trás às suas mentes. E que, na tentativa desesperada de matar estes sentimentos, matam aqueles que os provocam.
    Devemos ficar alheios a isso? Não, mas ter o cuidado pra não achar que seremos mortos a qualquer momento. Pode acontecer? Sim, mas não é provável.
    Vamos curtir esta liberdade de conviver com nossas famílias, colegas de trabalho e amigos de uma forma mais honesta, o que eu não conseguia imaginar quando tinha 18 anos. Pensar que podemos estar em lugares que antes poderiam ser invadidos pela polícia a qualquer instante, e que muito longe de cumprir o seu papel, se aproveitaria da nossa fragilidade e nos chantagearia, ameaçando contar à nossa família ou trabalho sobre o que estávamos fazendo.
    Sim à clareza das coisas, e cuidado para não ficar amargo, medroso. Este pode ser o plano deles, afinal, não é assim que funciona o terrorismo?

    Abração

    • admin says:

      Não acho nem um pouco bobagem o que você falou. Muito bom o comentário e concordo plenamente que não devemos ficar amargos, nem viver só de revolta. O que eu já não faço. POde parecer o contrário, mas aqui no blog não tem muito espaço para as coisas boas da vida gay. Virou um lugar para desabafo, mas vou considerar um equilibrio. Fique tranquilo. Abraço forte!

  7. Pingback: Recomendo a leitura – Papay gay | Safadinhos.net

  8. Pingback: Recomendo a leitura – Papay gay | Portal Gay – Paqueralegal.com

  9. Jefferson Santos says:

    É um sentimento agridoce… Em Agosto um amigo meu que da a cara a causa homossexual, fez um Posto no seu site e no Facebook, tratava-se do caso em que pai e filho foram espancados porque confundiram com um casal homo. E ai começou a desgraça, uma FDP fez um comentário a dizer; também para aqueles lados só existe assassinos e ladrões!!! E eu; Perae eu sou Brasileiro! Ela; lixo. PUTA foi a palavra mas branda que eu usei para esta fulana. Eu não moro no Brasil e ver alguém ofendendo a sua pátria é horrível. Neste dia o Portugal gay teve uma série de comentários a maior parte de pessoa que estavam revoltadas com o que tinha sido dito e etc… Mas o que eu quero dizer é; Lembro de alguns actos contra, gays, negros ou nordestinos, mas nada como agora, todos os dias vejo uma noticia contra um gay… Agora eu pergunto, como é que uma parada tem milhões de pessoas, em todas as profissões existe um gay, como é que a sociedade aceita isso? Vai virar uma guerra, o skin que sente tesão por um cara vai la e mata? Isso não me entra na cabeça… Concordo que não podemos deixar de viver ou viver em função disso… Costumo dizer; eu não preciso que me aceitem, eu quero que me respeitem… Cada dia é um dia, e todos os dias são uma vitória.

    • admin says:

      Não sei ao certo se os crimes homofóbicos aumentaram, acho que eles têm agora uma visibildade maior, só isso. A sociedade brasileira é muito lenta pra se revoltar, e isso é em tudo. Veja a corrução por exemplo, ninguém faz nada…

  10. Não sei… mas esses tais religiosos ficariam felizes se existisse uma Auschwitz Gay para nós…
    Me irrita quando eles dizem que não tem preconceito, mas que nós enfatizamos muito que somos “coitadinhos”!
    Sempre “doutrino” as pessoas em minha volta…. parece que da certo. Acho que assim, como a consciência ecológica, tem que partir de pequenas atitudes.
    Mas de verdade… eu queria jogar uma bomba em todos!

    Abraços querido

  11. Jk says:

    Bom me intriga sao os comentarios e piadinhas homofobicas que ouço no dia a dia de peaaoas. e esse preconceito começa dentro de casa como aconteceu comigo quando minha familia ficou sabendo de mim meu pai me isolou minha mãe tentou suicídio pq nao aceitavam minha escolha. Chegaram até me oferecerem ajuda médica como se isso fosse uma doença que vc toma um remédio e ops to curado. Coisas que me revolta pois nem em casa as vezes temos respeito a intolerancia hj no mundo chegou ao extremo onde a vida nao se tem mais valor os conceitos de moral individual se tornou tao irrelevante que ulttapassaram o respeito a vida. Hj como seu comentario por muitad veses somos acoados a viver num mundo ireal nao por vergonha mais sim pela intolerancia coletiva que se espalhou pelo mundo.

    • admin says:

      É isso aí. Que doideira, né? Sua mãe é tão influenciada que precisou tentar o suicídio para não ter que enfrentar a sociedade. Triste isso. Mas, é fruto de muita intolerância, muita religiosidade e muita falta de informação. Pena mesmo ter que ouvir o seu relato. Espero que você seja um sobrevivente e se livre desse ambiente doentio em que você foi criado. O problema não é com você, se junte de gente que te respeite e bola pra frente, a coisa está mudando, devagar, mas está!

  12. Papai Urso do Interior says:

    Nossa vida valerá sempre pelos sacrifícios que fazemos em nome do que acreditamos, mas nem todos pensam assim e aí me questiono tb, “vale a pena dois ou três de nós nos sacrificarmos por um monte de sem-noção-fúteis que só querem saber de balada e pegação?” Os gays daqui morrem assim por que: a) são organizados ou b) são desorganizados? Por outro lado, enquanto não criminalizar, somos a bola da vez na mão de açougueiros, cada um quer mutilar a gente numa nova modalidade, já cansei de ver jornal na TV, desligo e vou ver DVD… Muito franco: não muda sem lei, não muda! Pensar o contrário é ser masoquista ou chegado numa tortura mental…

  13. serio… me doi so de ler e pensar…
    Q MERDA DE PAIS EM

    putaquepariuuuuuuuuuuuuuu!!!
    compartilho o mesmo sentimento de revolta Papai gay!

    beijos
    Leo

  14. cristian says:

    Desculpa, mas li seu texto e achei que deiva compartilhar o link no meu facebook, muito bem falado, e desculpe ai

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