Karma Gay.

Karma. Algo que estaria em nosso destino, mas que não possuiríamos controle algum sobre. Um fardo. Bom? Ruim? Quem sabe. Inevitável, isso sim. Não acredito que ser gay seja um karma. Acho até que seja inevitável. Uma vez gay, pra sempre gay. mas a carga negativa embutida nos karmas não me parece compatível com toda a liberdade e desprendimento associado ao estado de ser gay. Ser gay em si não pode ser um karma. Então, vamos aprofundar só mais um pouquinho, pois existe algo de karmico na vivência gay, sim.

O karma gay, para mim, é sentir atração e ter como alvo de desejo e prazer, justamente algo que, na maioria das vezes, deseja o que jamais poderemos ser. Se isso não é um karma danado de “brabo”, não sei o que é. Por mais que sejamos auto-controlados, e que procuremos nos preservar do sofrimento da rejeição, somos o tempo todo tentados pelo que nos rejeita. Pelo que de uma certa forma até nos odeia. Sim. Gostar de homens nos faz ter tesão por heteros. Heteros são o nosso karma. Mas heteros gostam de mulheres! Olha aí o desgraçado do karma. Mas, veja bem, é claro que não discarto as paixões entre gays, que aliás foram a maioria das que eu vivi, pois tenho um enorme amor proprio que me impede de sofrer por heteros. O que estou falando aqui é do maldito tesão que os heteros nos provoca. Nada de heteros “chulos”, metidos a machão, pois esses são os mais gays de todos. Falo da essência heterosexual, do homem que não precisa provar nada pra ninguém, daquele que é de uma simplicidade e objetividade apaixonante. Eita karma delicioso esse. O problema é que ele é impossível de ser vivido, saboreado, sem nos machucarmos.

Sempre fui da teoria que gays tem que namorar gays, que um gay que se apaixonasse por um hetero estaria fadado à infelicidade. Que seria um idiota irresponsável e que por isso deveria passar por todo sofrimento que lhe fosse infligido. Que não podemos, não devemos, não sucumbiremos a esse karma. Principalmente quando vejo tanta homofobia proferida por lábios atrelados a heterosexuais, passo a odiar a maioria deles, tenho raiva, ódio de ser tão atacado por homens que deveriam me amar em retorno. Estariamos karmicamente obrigados a ser infelizes?  Não faço apologia ao amor entre heterosexual e homossexual, pois acho que é algo impossível de se realizar. Questiono a vontade, o desejo frustrado de um, que ao se manifestar, provoca o odio no outro. Isso é algo que jamais vou entender. Por que, ser desejado, e até mesmo amado por um gay, é algo assim tão repulsivo para um hetero? Porra de karma mais maldito esse.

Mas calma, não se desesperem. Muitos gays, aliás, todos que eu me relacionei, supriram essa minha necessidade do macho. Falo apenas de um karma meio fetiche, meio platônico. Falo de algo inalcançável mesmo, que nem deve ser perseguido, que deve ficar alí, enjaulado, como se fosse um bicho. Pare de alimentar que ele morre. Melhor assim, pois eu não quero esse karma mesmo. Mas, como todo bom karma, ele é inevitável e sempre volta. Só nos resta sufocar esse desejo e torcer para ele ir embora.

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17 Responses to Karma Gay.

  1. Mateus says:

    Entendo o que diz, ja tive admiração por um hetero, ja fiquei com um dito hetero ( inrustido) aprendi a le dar com isso, acho que muitos procuram caras ditos heteros por que ja temos uma visão negativa de nos como gays, vemos os gays afetados na tv e odiamos aquilo de tal forma que nem queremos se relacionar com alguem que lembre aquela figura escrachada, tenho amigos heteros que me conheceram e se surprienderam com o fato de eu ser gay, pelo fato de não ser como aqueles da tv, mas não culpem a tv brazileira, muitos gays são afeminados como mostrado na tv, talvez por ter sido infectado por essa cultura na sua infância.

    • admin says:

      Hum… Mas, a tv brasileira tambem mostra o gay masculinizado. Falo desse karma sem quere provocar uma polêmica sobre ser ou não legal o gay afeminado. Falo da inevitalidade de se amar algo que não se pode ter. Falo do masoquismo que isso pode gerar nos gays.

      • Mateus says:

        hum… Acho que to entendendo seu ponto agora, mais creio que é dificil amar um hetero, admiração é possivel, pra mim é mais um caso de admiração confundida com amor.

  2. Mauro says:

    Acho que todos nós (gays ou não) sempre iremos conviver com o fato de desejar alguém que nos rejeita.
    Boa parte dos homens heterossexuais deseja a gostosa da propaganda de cerveja, mas a maioria deles só vai ter acesso à mulheres bem diferentes daquela.
    Se fizermos as contas, temos muito mais oportunidades sexuais do que estes homens. Não que eles não queiram, mas não encontram tanta disponibilidade.
    Quanto à karma, não! Ainda vivemos em um mundo que faz associações equivocadas e acredita em histórias que foram criadas na época que as populações precisavam urgentemente crescer.
    É mais ou menos como a história da experiência com os macacos.
    Colocaram numa cela vários macacos e uma escada. No topo dela, havia bananas.
    Quando um macaco subia a escada para pegá-las, ao atingir certa altura, todos os macacos recebiam um choque. Ele voltava. Outro tentava, e todos recebiam choque.
    Depois de um tempo, nenhum macaco tentava subir a escada.
    Desligaram o choque.
    Tiraram um dos macacos e inseriram outro. Este, imediatamente tentou buscar as bananas, e foi imediatamente reprimido pelos demais, que impediram seu acesso à escada. Depois de tentar algumas vezes e ser novamente repreendido, desistiu de subir.
    Tiraram mais um macaco que participou do primeiro momento (do choque) e colocaram outro. As tentativas e repressões se repetiram e a desistência de buscar as bananas também.
    Num determinado momento, todos os macacos que estavam na cela não haviam participado do primeiro momento, ou seja, não levaram choque, as bananas estavam lá, o choque estava desligado, e nenhum deles subia a escada para pegá-las.
    Pois é, somos macacos que fazem as coisas sem ter ideia do porquê.

    • admin says:

      Linda a história dos macacos, então, por analogia, você acha que heteros não transam com gays porque seus antecessores não transavam? É o contrário, nossos ancestrais, principalmente os gregos transavam entre si com a maior naturalidade do mundo. Sei não. Continuo com o karma… rs

      • Mauro says:

        Rsrs
        Não sei exatamente quem transaria com quem, mas acho que se não fossem as questões culturais, as pessoas transariam de forma mais diversificada.
        Acho que se estes conceitos de hétero, homo, bi… não existissem, as pessoas apenas transariam, amariam. Não faria diferença com quem fosse.
        O estudo de Kinsey revela que este padrãozinho que as pessoas lutam pra manter está longe da realidade.
        E por revelar isso, quase foi pra fogueira.

  3. Igo Araujo says:

    Não sei se acredito em karma. Não no sentido religioso-espiritual da palavra. Mas acredito nisso: o que é impossível atiça o nosso desejo. Atrair-se por héteros ou homens que pareçam héteros soa como uma conquista a mais na cama; algo como “vê aquele cara todo machão ali?… Já comi (ou já me comeu, dependendo da sua visão “fiolosófica”…)”. Psicologicamente, seria até como dobrar a vontade ou comportamento do outro ao seu; mesmo que na cama você tenha sido submisso, de certa forma, vc ainda se mantém no poder: “você gosta de mulher, e ainda assim te seduzi”.

    Concluindo: atração de gays por homens héteros seria uma tentativa de colocá-los sobre nosso poder, quebrar imagens, estereótipos; principalmente quando somos vítimas diárias da impotência, da subserviência social, da ocultação, do estereótipo.

    Abçs

  4. Olha, eu já tive muito esse karma. As vezes, volta. As vezes, eu também não dou importancia pra ele. As vezes eu vejo isso como uma necessidade de auto-afirmação em face a tudo o que nós vemos sobre gays na tv e na mídia em geral e nós rejeitamos tal imagem. Por outro lado também, eu deixei de dar importancia a isso e a dar importancia ao que realmente eu to sentindo. Aí as vezes o carma ataca. As vezes, não. Mas o Maurício foi perfeito quando disse isso: ” Falo da essência heterosexual, do homem que não precisa provar nada pra ninguém, daquele que é de uma simplicidade e objetividade apaixonante. Eita karma delicioso esse. O problema é que ele é impossível de ser vivido, saboreado, sem nos machucarmos”. Eu procuro muito isso em homens.

  5. Henrique says:

    O meu nível de conhecimento não me permite fazer comentários tão bem estruturados quanto esses aí de cima. Mas eu prometi que comentaria.

    Eu costumava me apaixonar por héteros. Com o tempo aprendi a controlar esses amores platônicos, repreendo-os quando ainda estavam no feto para que não houvesse sofrimento. Não sei se essa história de karma gay é uma regra. Mas no meu caso ele existe, e já me perturbou bastante. Nas últimas vezes em que ele apareceu para me atormentar, resolvi enfeitar ainda mais os meus amores platônicos héteros, procurando sinais de homossexualidade neles, para que minhas ilusões tivessem algum fundo de possibilidade (estava me iludindo mais ainda). Auto-controle. É disso que precisamos. Porém, tanto o amor platônico, quanto o auto-controle, repercutem em infelicidade. O jeito é achar alguém “possível”, alguém que possa corresponder às nossas expectativas, alguém como nós.
    Não sei mais o que escrever.
    Beijinho doce.

    • admin says:

      Mandou bem Henrique. É exatamento o ponto que eu queria tocar. Será que para não sofrer nos contentamos com o possível, ou será que o possível deve ser suficiente? Karmico mesmo!

  6. Henrique says:

    Esqueci de te agradecer por continuar com o blog.
    Muito obrigado! Uma frustração a menos. Te amNÃO! Amor platônico, sai daqui agora! 😉

  7. Cara Comum says:

    Ah, mas tem heteros que se apaixonam por homens gays (no caso de mulheres heteros) ou lésbicas (no caso dos homens heteros). Porque eu acredito que a gente se apaixona pela pessoa, antes de mais nada.

    E com o tesão é a mesma coisa. Eu tenho um tesão muito phoda por homens muito femininos e mulheres muito masculinas. Com os homens, quando estes são gays, fica mais fácil de concretizar o desejo. Mas com as mulheres, quando elas são lésbicas, é impossível!

    Então, acredito que todo mundo está sujeito a esse “karma”, que eu prefiro chamar de desencontro de desejos…

    Abraços!!

  8. Paulo Ulisses says:

    Como o diabético salivando por um doce, como o cãozinho morrendo de fome na vitrine de uma churrascaria, como uma criança c/ coraçãozinho apertado porque já sabe que jamais terá o brinquedo caro q tanto deseja… Tudo isso e mais um pouco serve p/ilustrar o que é gostar de quem muitas vezes quer mesmo é o nosso extermínio da face da Terra. Karma mesmo, não tem outra palavra p/ definir melhor.

  9. Paulo says:

    E os caras que são casado e tem relacionamentos com mulheres? que na verdade gostam é de homem, eu não entendo quando vc diz: “Falo da essência heterosexual, do homem que não precisa provar nada pra ninguém, daquele que é de uma simplicidade e objetividade apaixonante.” para mim isso é um ideal de macho concordando com o 1° comentário, isso é uma busca pelo macho viril, e como o hétero ideal nao é afeminado/afetado/feminino, isso causa automaticamente um tesão, porque a imagem do homossexual é sempre do cara afeminado, do travesti, da mulherzinha, porque homem que gosta de homem, não gosta do feminino, gosta do masculino do macho viril, aí entao busca no hétero ou faz a ideia do macho ideal, Eu aposto se a figura do homossexual masculino fosse tão viril quanto a do hetero, não há porque buscar no “homem hetero” o macho ideal, até porque são homens e mesmo gostando de homens um homossexual pode ser o macho viril.

    E nessa estória de “karma” no geral é só insistir que leva, eu ja fiquei surpreso com cada coisa que vi, principalmente de compromissados com mulheres que dão em cima de outros homens.

    Se a imagem do homossexual masculino fosse tão viril quanto a do hétero, se um dos dois te recusasse o Karma seria o mesmo.

    • admin says:

      É isso sí Paulo. Mas nem sei se pensei tudo isso ao escrever o texto. Era mais uma forma de desabafar sobre o tesão pelo macho proibido… Valeu o comentário!

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