Era uma vez um amor.

Tudo poderia ter sido. Nós poderiamos ter sido. A vida poderia ter sido. Esse amor poderia ter sido. Mas não foi. Não foi nada do que eu imaginei. Como sempre não é. O imaginário é sempre melhor que a realidade, nua e crua do cotidiano. O amado jamais chegará aos pés da nossa criação, da nossa fantasia do que foi, do que era, e do que poderia ter sido. Se ao menos ele soubesse o quanto eu queria que tudo fosse de verdade. Tudo poderia ter sido diferente. Era só a verdade prevalescer, triunfar por entre o mar de mentiras. A verdade é como um galho que ameaça afundar no rio ao menor inseto mal intencionado que pousa em seus ramos. Galho frágil que ao ser quebrado perpetua a mentira em ondas que se propagam até a margem. Se ao menos fizessem como as lagartixas que se recriam após a mutilação, a verdade teria uma chance.

É dessa verdade, tão frágil e tão preciosa, que necessita estar em todo e qualquer relacionamento, que quero falar. Se não for de verdade, se não sentirmos que vale à pena, não há relacionamento que perdure. E pelas águas do rio da mentira foi o meu relacionamento. Um amor à deriva, sem capitão, sem mancho, sem verdade. Como um câncer que se espalha descontroladamente, com metastases por todo o corpo, a mentira permeia o amor e quando se percebe toma conta da alegria, da segurança, da cama, do prazer, de nós, restando apenas o último e implacável golpe em nossos corações. Que fatalmente chegará.

A mentira levou meu amor, levou aquele galho já derrubado à deriva no rio para mares profundos, onde gaivotas sedentas de discóridia pousaram e fizeram dele sua moradia. Galho quebrado. Galho perdido. Galho morto. Morto para a árvore, mas indispensável para os relacionamentos futuros que aprenderão com os erros do passado. Que venha a sabedoria de me amar mais, a certeza de me cuidar melhor, a compreensão melhor dos meus desejos. Que venha um certo egoísmo que só se consegue quando se está no fundo do pior sofrimento por amor. Meu peito se abre ao novo. Venha vida. Venha que aqui só tem lugar para a verdadeira paixão, para aquela que ao navegar no rio jamais se quebra, aquela que só se fortalece, aquela que aguenta o peso de um Pterodactilus e que ao chegar à margem só lhe resta um destino: sua metamorfose em AMOR.

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11 Responses to Era uma vez um amor.

  1. só com o tempo que aprendemos a sermos melhores. você vai superar essa.

  2. Cara Comum says:

    Que o tempo traga a cura da ferida e novas possibilidades!

    Sorte e abraços!!

  3. KarmaTuga says:

    Força aí.

  4. Mauro says:

    Todas as vezes que escrevo vai junto um monte de teorias.
    Desta vez, só quero comentar que fiquei bem triste ao ler seu relato. Senti como se você fosse meu amigão, e eu não quero que estas coisas aconteçam com os amigos.
    Estranho sentir isso sem nem nos conhecermos pessoalmente, mas estou sentindo.
    Então, como se nosso contato fosse real, vai aqui um abraço, um colo pra se deitar e chorar, e a intenção de não deixá-lo só.

    • admin says:

      Olha Mauro, se você entra aqui e lê meus pensamentos, você me conhece. Levo em consideração cada leitor daqui, considero todos amigos, mas é claro, que adoraria encontrar todos pessoalmente. Me senti abraçado, obrigado. Quem sabe um dia desses não pode me dar esse abraço olhando nos meus olhos?

  5. EU SOU O GALHO

    O inseto pousou, fez com o galho se afundasse em águas turvas, o córrego com suas ondas turbulentas lavaram as mentiras, o galho foi obrigado a se livrar da casca, já não contava mais com o suporte da árvore que com seus pés no chão o guiava… as águas furiosas levaram o galho, ele foi obrigado a se deixar levar pela correnteza, como é angustiante para o galho ver as águas o levarem para longe de sua árvore, às vezes o galho se prende em algum arbusto, pensa estar seguro, às vezes, parece ter encontrado a árvore, ela parece ter se esticado a ponto de conseguir seu galho de volta, mas então, vem uma correnteza mais forte, e continua a leva-lo, o galho, em certo momento é jogado para fora, o sol quente o deixa seco, em cor ocre, já não exala o mesmo perfume, já não possui a mesma cor de antes, seco, e mais leve, livre de sua casca verde fica a mercê do vento, vento que agora, não como a correnteza que sempre o levava para baixo, pode de repente soprar ao contrário e levar o galho de volta à sua árvore, o vento é lento pode ser que quando o galho consiga chegar até a árvore, já tenha nascido um novo galho, no entanto, verde, novo, com cascas….. eu sou o galho.

  6. José Timbor says:

    Que pena companheiro, a algum tempo sigo seu blog, a primeira vez que estive aqui, foi uma vez quando você e seu namorado haviam sofrido uma violência por serem gays, então favoritei e entro as vezes, e gosto muito do que você escreve, no entanto fico muito triste em ler esse relato, por você e pelo galho, que aliás, também deveria escrever mais, da pra sentir a sensibilidade vinda dele pelo comentário a seu post, sou heterossexual, tenho uma filha gay, e por isso me interesso mais pelo assunto, e seu blog me ajuda muito a entender esse mundo, e a cuidar bem dela, do jeito certo, eu e minha esposa nos amamos muito, no entanto, já passamos por muita coisa juntos, estamos juntos a 26 anos, e nesse tempo aconteceu muita coisa, não sei se isso ajuda, mas de certa forma esse relato me fez lembrar do meu passado, houve uma época em que estávamos muito mal, logo no começo do relacionamento, estávamos vivendo juntos a sete anos, aconteceu coisas que fizeram com que eu questionasse quem era ela, com quem eu estava vivendo, se realmente ela me amava, se realmente eu a amava , estava muito confuso, nos separamos, e ficamos um tempo longe, mas eu sentia muita falta dela, e ela então era evidente o quanto sofria por estar longe de mim, não conseguimos ficar longe por muito tempo, uma semana era uma tortura longe dela, chegou uma hora, em que percebi que já havia perdoado o que ela havia feito, éramos muito jovens na época e fazíamos mesmo muita coisa errada para um relacionamento, falta de experiência é uma arma apontada para os próprios pés. Resumindo, resolvi perdoar, ficamos juntos, e desde então eu tenho a certeza de que fiz a coisa certa, nos casamos e hoje temos a Rachel, uma filha linda, hoje com 17 anos, e é o maior orgulho da minha vida, e só minha esposa poderia ter me presenteado com isso, claro que em nossa relação tivemos discordancias, mas estar ao lado de quem gosta de mim, mesmo com todos os meus defeitos, me faz o homem mais feliz a 26 anos. Como disse eu era muito jovem quando isso tudo aconteceu, talvez a falta de experiência minha, tenha ajudado eu a perdoar, hoje tenho 56 anos, você ainda é um garoto, não desperdice as oportunidades que a vida nos trazem, eu sei que posso ter deixado de viver muita coisa estando casado a tanto tempo e tendo me casado tão jovem, mas eu tenho certeza de tudo de bom que isso me trouxe, tantas lembranças, e acredite, as boas, prevalecem. Desculpe pelo comentário tão grande, mas é que me lembrou um pouco minha estória, e me comoveu saber que estão passando por tudo isso. Torço de verdade que consigam passar por tudo isso, e que o amor de vocês prevaleça, por que você é um exemplo pra mim, pra minha filha, pra minha esposa, e o fato de voce viver aquele amor tao lindo com seu parceiro nos fazia sentir que Rachel tem a chance de viver uma estoria como a minha e de minha esposa. Você e seu esposo juntos, são mais fortes no mundo, acredite nisso. Abraço Papai gay, e já te sentindo meu “filho” gay.

    • admin says:

      Nossa José…Que relato incrível, obrigado por compartilhar sua vida conosco. Fico muito feliz de saber que sua filha é uma riqueza pra vc. Muitos pais não aceitam a homossexualide e muito menos sentem orgulho. Isso te faz um excelente pai e ser humano. Não tenha dúvida de que ela vai encontrar um amor verdadeiro. Isso independe da sexualidade. EU TE GARANTO: Gays são tão capazes de amar quanto qualquer pessoa. Quanto ao meu relacionamento… Já são outros quinhentos. Nos amamos ainda, e sinto que precisamos passar por isso para ver se conseguiremos estar juntos para o tão famoso “sempre”. Não sou tão garoto como você diz, só aparento menos… Meu ex sim, ele é bem novinho. 27! Mas também nem tanto, né? Vamos ver o que vai acontecer com essa estória. Por enquanto estamos nos redescobrindo, nos transformando… Obrigado pelo comentário e volte sempre! bjo do Papai Gay

  7. José Timbor says:

    Obrigado por responder, ficamos felizes que o amor de vocês não tenha acabado, mas não pense que você não é jovem, você luta como um jovem, com a sabedoria que acumulou com os anos, e seu ex, com 27 anos, é um bebê, ainda tem muito o que viver, tenho praticamente o dobro da idade desse garoto, isso me faz vê-lo tão mais jovem do que você possa imaginar, tenho vontade de abraça-los… ainda não conheço o “galho”, mas como a você também já o quero bem, contem com a torcida aqui de casa, e não é uma torcida pra que “tudo fique bem”; é uma torcida para que você e seu ex (Ex o que? Ex amor? Ex relacionamento? De fato em que sentido e quando deixamos de ser algo pra alguém e passamos as ser ex, que se refere a passado, a inesistente?) esperamos que você e seu “ex” fiquem bem juntos, devem ter já muita gente torcendo pelo contrário, eu e minha família seremos torcedores em desvantagem mas com sentimenos puros e verdadeiros, acredite, se vocês se amam, não importa o motivo, ficar separados não faz sentindo. Como disse, juntos você são mais fortes no mundo.
    Beijos, Papai gay…

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