Ativismo é coisa pra chato!?

Pois é, quantas vezes já nos deparamos com pessoas que insistem em se posicionar dessa forma? Quantos amigos seus já te falaram que não levantam bandeira de nada? Será mesmo que precisamos ser alienados para sermos considerados “caras legais”? Pra quê achar que se está carregando o movimento LGBT nas costas, se você simplesmente se posicionar, ou divulgar algo em público, que é à favor da causa?  Bom, eu até já fui “advertido” por um “amigo” do facebook que se sentiu ofendido com uma foto que publiquei, pasmem, em minha própria linha do tempo, do assassinato de um travesti. Acredite se quiser, mas o meu “suposto” amigo veio me dar uma liçãozinha de etiqueta “facebookiana”, pode?

Pode! Mas o que pode mesmo é ele usar seu direito maior de me excluir e se livrar de tanto realismo, de tanta verdade, de tanto horror que nos deparamos na luta por nossos direitos. Pois bem, continuo e continuarei postando esses crimes bárbaros em meu facebook pessoal, não acho “legal” ser um alienado e não ligo nem um pouco de me considerarem um “chato”. Pra mim o chato foi ele, que veio me dizer o que era ou não correto de ser postado em MEU facebook!!! Oras, de que me adianta ter um facebook com uma coluna descrita como : FEED DE NOTÍCIAS, senão para se postar o que se considera NOTÍCIA?! Jamais me verão divulgando um prato de comida em um restaurante que todos acreditam ser o “must” do momento, ou atualizar sobre meu estado de espírito, e muito menos com preces e outras baboseiras. Adoro falar besteiras, divulgo piadas, mas na hora de repartir o que realmente importa, eu tô lá, apertando o “compartilhar” sem medo de ser feliz.

Muitos gays ainda acham que saber o último hit de Lady Gaga, ou a próxima tendência do Fashion Week é muito mais “in” do que saber qual candidato apoia o Casamento Igualitário, ou quantos assassinatos ocorrem por ano motivados por homofobia, mas eu acho que o “fino do fino” é entender o momento histórico maravilhoso que nos encontramos, onde há um movimento mundial se desenrolando, apoiado inclusive pela ONU e pelo maior e mais poderoso líder mundial, Barack Obama. Ter a conscientização de que estamos vivendo algo comparado apenas à abolição da escravatura, ou talvez, ao final da Segunda Guerra e a salvação dos judeus, nos faz únicos. Somos privilegiados, estamos assistindo ao desmoronamento de séculos de preconceitos contra LGBTs, a mídia dominante está ruindo e sucumbindo às midias alternativas da rede, as pessoas se unem, se defendem, se impõem, conquistando espaço e respeito para os gays, isso é lindo! É sofrido? É! Mas é antes de tudo lindo e vivo!

Pode me chamar de chato. Se chato é saber que posso fazer a diferença com esse blog, eu sou chato. Se chato é falar sempre sobre homofobia até que a realidade se inverta e todos sejamos respeitados, eu sou chato. Se ser chato é acreditar que podemos juntos diminuir o sofrimento das nossas crianças gays  que pensam que a solução para suas vidas é o suicídio, eu sou MUITO chato. Se quero ver beijo gay em novela, se quero que parem de usar as palavras: VIADO, BOIOLA, BICHA, MARICONA para nos diminuir, eu sou e serei pra sempre um chato de carteirinha. E se essa chatice contaminar todos os meus amigos e quem mais acreditar que pode mudar o mundo, seremos todos agradecidamente uns chatos adoráveis.

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10 Responses to Ativismo é coisa pra chato!?

  1. admin says:

    Estou de volta galera, adoraria ler seus comentários após a leitura… Abraço

  2. Mateus says:

    Que bom estar de volta!

  3. Júlio says:

    Pois é…
    Infelizmente muitas pessoas estão mais preocupadas em obter uma aceitação social superficial ainda que ela seja apenas aparente e imediatista, do que trabalhar para ser respeitado pela sociedade e desta forma nela inserido de forma definitiva.
    Vejo muitos colegas de faculdade ignorando por completo uma série de valores que nos são passados todos os dias em prol de garantirem seu pertencimento a uma parcela segregada da sociedade regada de privilégios que fogem à grande maioria, essa sim excluída.

    • admin says:

      “Vejo muitos colegas de faculdade ignorando por completo uma série de valores que nos são passados todos os dias em prol de garantirem seu pertencimento a uma parcela segregada da sociedade regada de privilégios que fogem à grande maioria, essa sim excluída.”
      Não entendi muito bem isso não, acho que é ao contrário… Garantir o pertencimento a uma parcela segregada? Que valores eles ignoram pra isso? Enfim, acho que vc pode elaborar esse comentário. bjos

      • Julio says:

        De fato ficou confuso. Mas o que eu quis dizer é que muitos colegas ignoram lições do dia a dia, debates e reflexões.
        O único interesse que não sai da mente deles é trabalhar para entrar num seleto grupo de pessoas que ganham bons salários mas que, muitas vezes, não conhecem a sociedade a qual pertencem e permanecem imersos no senso comum.
        Bjos…

        • admin says:

          Só ainda não ficou claro se vc fala da sociedade em geral ou dos gays… rs

          • Júlio says:

            Hehe…
            Dos dois…
            Quando penso na sociedade em geral, penso nos valores que ela deixa de agregar a si própria ao limitar sua visão de mundo à uma visão que lhe permita conquistas que lhe ofertem status.
            Quando penso nos gays idem.
            Acredito ser esse um dos maiores obstáculos para que a sociedade em geral se permita compreender o indivíduo gay e para que o indivíduo gay se permita olhar mais a fundo para o seu próprio mundo e para a sociedade em geral, compreender a sua formação e a sua estrutura. Esse olhar permitiria aos gays compreender o valor da luta por inclusão de fato.

  4. Henrique says:

    Concordo plenamente. Se alguém publica no facebook uma foto de uma vítima de racismo, todos aplaudem e compartilham da indignação, afinal, o racismo é um preconceito arcaico e intolerável. Porém, quando alguém (como no seu caso) publica uma foto de uma travesti vítima de homofobia, aquele que postou acaba sendo taxado como ‘ativista chato e exagerado’, ou seja, é exagero caracterizar esse tipo de violência como uma problemática, isso é só um caso isolado, e além do mais, “hoje em dia tudo é homofobia”. A verdade é que enquanto não nivelarmos todos os preconceitos e pararmos de classificá-los em grau de gravidade conforme nossas conveniências e/ou valores, nunca teremos uma sociedade igualitária e continuaremos vivendo em um país de injustiças e hipocrisia.

    P.S.: Estou muito feliz que tenha voltado a escrever no blog.

    • admin says:

      Pois é… Essa mentalidade de que a vida humana tem uma escala de importância é mesmo uma babaquice. Um travesti está no fim dessa tabela, é quase não-humano, é estranho, nem os gays compreendem ou aceitam, uma pena mesmo. Obrigado pelo seu comentário, volte sempre e comente mais, pois isso me anima nos posts. Abraço forte!

  5. Eduardo says:

    Ai, ai, que texto LINDO, viu!? Essas pessoas só vão se tocar do quanto o preconceito está impregnado em nossa sociedade e de suas consequências terríveis ao depararem com ele da forma mais cruel possível, infelizmente. Aliás, o que não desejo a nenhum deles — tá, pelo menos não a parcela que não ajuda e nem atrapalha. Por que tem alguns…

    Outra coisa que quero falar é sobre o uso de qual artigo definido correto para ser usado em travesti. Segundo o Manual de Comunicação LGBT, produzido pela ABGLT, página 18, o termo correto é “a travesti”. (Online: http://pt.scribd.com/doc/93745027/ABGLT-Manual-de-comunicacao-LGBT-Cartilha / Download em PDF: http://www.grupodignidade.org.br/blog/arquivos/manual-comunicacao-lgbt.pdf)

    Status: lutando por um mundo de chatos adoráveis.

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