Quem diria que os gays seriam os heróis?

Parados. Atônitos. Anestesiados. Assim estamos, todos nós, perante as barbaridades que vemos, todos os dias, nos noticiários. Escândalos no Senado, na Câmara dos Deputados, dos Vereadores, nas comissões diversas, no Executivo, pra todo lado. Diante desse cenário sombrio, quem diria que seriam os gays que começariam um movimento revolucionário no Brasil e no mundo? Quem diria que seriam esses, que por muito tempo foram considerados alienados, desunidos, perversos, promíscuos, que sairiam às ruas, fora de seus armários, e dariam suas caras a tapa? Pois é, são os gays os protagonistas mundiais da última fronteira, da última barreira a ser derrubada nos Direitos Humanos. Somos a última minoria a ser contemplada com o direito de sermos iguais.

Quantas vezes tive que ouvir que a sociedade não estava preparada para essa mudança. Que eu deveria maneirar, que deveria ter paciência, que a mudança iria chegar um dia e que não havia necessidade de me alterar tanto. Mas eu me alterei. Eu berrei, eu discuti, eu xinguei e fiz de tudo ao meu alcance para que esse futuro fosse agora. Nunca me contentei em aceitar calado, subalterno, sem opção. E me parece que como eu, muitos de nós, no mundo todo, resolveram lutar, berrar, xingar e mudar o imutável. Cansamos. Simples assim. Não adianta os conservadores, os mercenários da fé, ou os ignorantes, tentarem reverter os avanços alcançados, como o casamento gay, pois a cada dia que passa, seus discursos se voltam contra eles mesmos. Seus argumentos arcaicos são desmontados e desconstruídos pelas vozes da igualdade que ressoam mundo afora. Temos a fala e descobrimos que podemos ser ouvidos. Só precisamos acreditar. Acreditar em nós, na bondade humana e principalmente na racionalidade dos que ainda insistem em pensar por si próprios.

O mais bacana é ver que a voz mais contundente, que está se levantando contra os absurdos que estamos vivendo na política nacional, é a da sociedade gay. O movimento “Fora Feliciano” levou milhares de manifestantes às ruas de todo Brasil, e pasmem, a maioria era gay! Não eram os negros, que também foram atingido pelo racismo desse sujeito, não eram os umbandistas, ou qualquer outro tipo de minoria, embora muitos outros representantes estivessem presentes, a maioria esmagadora era de LGBT. E isso é muito lindo de se assistir. Uma parcela da população que sempre se acovardou, que sempre se escondeu, que sempre teve vergonha de existir, bate a mão no peito e EXIGE direitos iguais. Somos gays que não aceitamos mais a injustiça, a injúria e muito menos a barganha de nossos direitos por alguém que precisa manter uma governabilidade insustentável. É vergonhoso esse Governo Dilma e como nossa presidente vem tratando, com total irresponsabilidade, o direito das minorias desse país em troca do apoio de fundamentalistas religiosos. E somos nós, os LGBTs de todo país, que estamos provocando uma mudança! É apenas o começo, mas já é o suficiente para todos nós nos sentirmos muito bem. Parabéns para nós. Sintamos orgulho de nós. Mas não aquele orgulho que todos dizem que sentem, ou que achamos que temos que sentir para nos auto-ajudar. Sintamos o orgulho real, pois concretizamos esse orgulho em atos, em mudanças, em direitos. Sejamos realmente orgulhos do que estamos protagonizando. O orgulho agora é do que estamos fazendo e não só o que somos. Parabéns para os heróis modernos. Nós!

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6 Responses to Quem diria que os gays seriam os heróis?

  1. Foxx says:

    “a sociedade não está preparada para esta mudança” é super yuppie né?
    esse povo conseguiu alguns direitinhos e acha que dá pra passar com pouco.
    tem mesmo que agir agora, pq a sociedade nunca estará preparada se não a preparamos não é?

  2. Vinícius - aserdito.blogspot.com says:

    Essa coisa de protestar me trouxe alguns problemas com a família. Ficaram muito tristes comigo.

    Bem, eu fiquei muito desapontado com eles. Eu, aqui, esperando fazer do nosso país um lugar melhor e eles simplesmente não sabendo o porquê da minha necessidade de protestar.

    Talvez eu proteste porque não quero viver num submundo. Talvez não queria ver que crianças se mataram, pois as pessoas ao seu redor não as apoiam na descoberta de suas sexualidades. Talvez, para eles, estes não sejam argumentos válidos, mas para mim vale muito. E quer saber… enquanto for preciso (e por muito tempo será), estaremos aí para o que for preciso para que em 20 anos os que foram contra sintam vergonha de não compreender parte da dinâmica da humanidade.

    • admin says:

      Muito bem, Vinicius, você está certíssimo, pra que a aprovação de papai e mamãe para fazer a coisa certa? Tem que protestar mesmo, mudar essa realidade absurda que oprime as minorias!

  3. Pedro says:

    Pois eu te digo que hoje VOCÊ foi o meu herói. Juro! Acabei de postar um comentário em outro blog, no Muque de Pão – num post sobre as declarações da Joelma do Calipso, dizendo o quanto eu estava péssimo hoje. Mesmo. Hoje foi um dia terrível para mim. ando muito deprimido e depois de ler o que o Luciano postou resolvi desabafar. Mas, resolvi dar um espiada no seu blog que há muito não visito e me deparo com este texto maravilhoso. Você fez o marmanjão aqui chorar, salvou a minha noite e fez com que eu me sentisse melhor. Estava precisando me aliviar.

    Cara. Valeu! Abração!!!!

    • admin says:

      Nossa, acabou de me dar um gás para continuar com o blog. Obrigado, e não se abale, bola pra frente que as coisas vão melhorar! FATO!

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